A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 16/03/2021

No livro modernista “Macunaíma”, é representado o povo brasileiro por meio da figura do índio como herói nacional. Na trama, o autor Mario de Andrade narra a facilidade a qual o personagem tem de escapar de situações que comprometam a sua ética, sempre esquivando-se de problemas. Fora da ficção, a obra alude ao cenário brasileiro, uma vez que a histórica política brasileira, atrelada às falhas do sistema legal são fatores que corroboram a persistência do “jeitinho” na sociedade.

Sob essa perspectiva, é fulcral mencionar a corrupção enraizada à política brasileira, a qual é configurada como precursora da problemática. Isso porque, desde o Período Colonial os brasileiros procuravam meios para burlar as leis existentes para combater a miséria instaurada pela corrupção, como na lei do quinto, a qual legalizava o comércio do ouro nas colônias. Desse modo, tal comportamento é banalizado na sociedade, tendo em vista que, para o sociólogo Pierre Bourdieu o indivíduo é capaz de interiorizar e reproduzir o comportamento do meio o qual está inserido. Assim, tais atos provocam instabilidade na política e na ética nacional, inviabilizando, portanto, a credibilidade do povo brasileiro na conjuntura internacional.

Além disso, é imperioso destacar as “brechas” nas leis que regem o país. Sob esse viés, Michel Foucalt- ilustre sociólogo moderno- defende que o Estado deve possuir soberania diante dos cidadãos por meio da ordem. Nesse sentido, a Microfísica do Poder defendida por Foucalt, não é estabelecida no Brasil, uma vez que os indivíduos possuem mecanismos para burlar as leis, assim o Estado não tem seu papel de mediar a ordem efetuado. Sob essa ótica, o “jeitinho brasileiro” se dá pela carência de leis justas e eficazes, de maneira a evidenciar a necessidade de leis eficazes para o combate desse comportamento que deturpa o povo brasileiro.

Destarte, é mister a implantação de uma medida a qual vise mitigar o quadro atual. Portanto, o Poder Judiciário, responsável pela aplicação das leis que regem o país, deve propor sanções que reformulem as leis, de modo que não haja “brechas”. Essa ação deverá ser efetuada por meio de incentivos governamentais, destinados ao setor jurídico, para promover leis rigorosas sobre os infratores, as quais se apliquem de forma justa, tanto para os cidadãos quanto para os políticos. Espera-se que tal medida promova o avanço da justiça no país, assim o povo brasileiro terá credibilidade no cenário nacional, além de mudar a realidade do “jeitinho brasileiro” defendida por Mário de Andrade.