A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 16/04/2021

Na obra “Raízes do Brasil”, o pesquisador brasileiro, Sérgio Buarque de Holanda qualifica o indivíduo como “homem cordial”, o autor situa o brasileiro em sua essência como egoísta, portanto, disfarçada por uma falsa “cordialidade” em seu determinado espaço. Portanto, na atualidade, é fato que a realidade apresentada por Buarque pode ser relacionada à ideia de resolver um problema mais rápido, entretanto, na maioria das vezes incorreto, tal fato é resultante de uma bagagem histórica de corrupção no país conjugada ao individualismo na sociedade.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, sob uma perspectiva social, práticas de “malandragem e rapidez” são fomentadas pela cultura imposta no país, uma vez que, desde o século 20 com a aplicação do voto de cabresto, o jeitinho brasileiro se tornou cada vez mais recorrente. Com isso, esse quadro devastador, intensifica no individualismo social, em que cada indivíduo concede devida atenção apenas para seus próprios interesses pessoais. De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade moderna está em estado de liquidez, ou seja, mais escravas de suas magnitudes.

Por conseguinte, em razão de uma sociedade pautada em valores individualistas, é fomentada a ideia de que qualquer forma de se resolver um problema de maneira “rápida e sagaz” está diretamente relacionada ao jeitinho da comunidade brasileira. Além disso, potencializa-se a ideia de que qualquer atitude é válida, mesmo que seja erronia e ilegal para que interesses pessoais se tornem feitos. Comprovando essa linha, de acordo com Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como antagônicas e sim como certas.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o cenário atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias e palestras em meio escolar que detalhem a problemática  da persistência no jeitinho na sociedade brasileira e advirtam aos que praticam sobre suas consequências, sugerindo que o interlocutor crie o hábito de realizar seus afazeres de forma ”limpa e eficaz”. Somente assim, será possível combater a passividade de muitos dos que se apropriam do jeitinho e, ademais, não corroborar para que tal conjuntura se alastre e se intensifique, da mesma forma que Arendt disserta sobre a agressividade e o indivídualismo da população.