A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 09/06/2021
Na obra “O Auto da Compadecida”, do paraibano Ariano Suassuna, os personagens Chicó e João Grilo, ilustram de forma clara o chamado “jeitinho brasileiro”, driblando os problemas causados pela pobreza do sertão nordestino, passando por cima de qualquer regra que fosse um obstáculo. Fora da ficção, esse “jeitinho” está presente na vida de todos os cidadãos, em ações tão simples que acaba passando despercebido. Esse problema pode parecer inofensivo, porém, nele reside a origem de um dos maiores males da nação: a corrupção, e por isso, medidas precisam ser tomadas para extingui-lo.
Primeiramente, se faz necessário ponderar que a corrupção está enraizada na história do país desde o princípio, com a chegada dos portugueses, que além da força física, usaram de várias manobras para enganar os nativos, e até hoje essa prática se faz presente nas mais diversas escalas da sociedade. No livro “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, traz toda uma contextualização histórica da formação do nosso povo, como o ideal ibérico de “solidariedade” se transformou na cordialidade dos brasileiros, a qual é uma marca da forma de driblar todos os obstáculos encontrados no caminho.
Ademais, é importante ressaltar que a persistência do “jeitinho” se deve à negligência da própria população diante dessas situações, a qual assiste calada alguém furando uma fila, aceita subornos para beneficiar outra pessoa, não devolve o troco errado no mercado, e por aí vai. Contudo, o que muitos nem imaginam é que com essas práticas “inócuas”, estão contribuindo para a perpetuação da “grande corrupção” em empresas e no próprio governo, prejudicando a si mesmos além dos outros cidadãos. Numa pesquisa da Organização anticorrupção “Transparência Internacional” (2020) o Brasil pontuou 38\100 no índice de integridade, o que evidencia a carência de honestidade no país.
Diante de tais fatos, conclui-se que para vivermos numa sociedade mais justa e igualitária é imprescindível que chegue ao fim a corrupção, em todas as suas formas, tarefa árdua, mas não impossível. Para isso, os veículos sociais (internet, televisão) que possuem grande influência nacional, devem, por meio de comerciais informativos, com vídeos e imagens, orientar os cidadãos de como agir diante de uma situação do típico “jeitinho”, não se deixando corromper, mostrando também as consequências desses atos, dando assim um primeiro passo para a conscientização do povo, e consequentemente o surgimento de um país mais ético.