A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 14/06/2021
Apesar de ser reconhecido por seu samba e futebol, por muitos o Brasil é lembrado por sua história de corrupção. Nesse contexto, o “jeitinho brasileiro” se iniciou ainda no Segundo Reinado, onde coronéis de alta patente usavam a chantagem para coagir cidadãos na eleição de candidatos à Câmara dos Deputados. No cenário contemporâneo, a prática de corrupção se tornou uma marca da identidade nacional e sua normalização traz consequências negativas ao país. Dessa forma, torna-se imperioso o debate acerca da persistência do “jeitinho” e seus impactos na sociedade brasileira.
Em primeira análise, é fundamental apontar a herança civilizatória do “Homem Cordial” como um dos motivos da manutenção da corrupção na estrutura política e privada do país. Em seu livro “Raízes do Brasil”, Sérgio Buarque de Holanda, sociólogo e pesquisador, explica o “Homem Cordial”, que é a caracterização do homem brasileiro. Isto é, um homem que age contra as regras e leis e que valoriza o impulso de sentimentos. Assim, Sérgio aponta a indistinção do público e privado como potencializadora do “jeitinho brasileiro”. Dessa maneira, para o “Homem Cordial”, um decreto da Constituição brasileira tem o mesmo valor que uma norma de bons modos em casa, o que facilita o não cumprimento das leis pela população.
Em segunda análise, deve-se discutir a malandragem como comportamento normalizado no país. Desse modo, na década de 40, o escritor Walt Disney criou o personagem Zé Carioca para representar o Brasil. Nos desenhos, Zé é visto como um malandro simpático, sempre capaz de escapar de seus problemas de maneiras peculiares. Nessa perspectiva, Zé Carioca é o estereótipo do homem brasileiro, o que contribui para a imagem negativa do país. Como consequência, o Brasil é visto mundialmente como uma nação sem seriedade, onde é fácil sair impune de situações ilegais. Logo, é inadmissível que esse cenário perdure.
Portanto, faz-se necessária a participação do Estado na amenização da corrupção no país. Para tanto, é dever do Ministério da Educação promover palestras em escolas e universidades que valorizem a ética na formação dos futuros cidadãos. Essa ação deverá ser ministrada por sociólogos e professores, de forma que seja utilizada uma linguagem didática que exprima a importância da honestidade, tanto em situações individuais, como em situações coletivas, como em eleições de candidatos que representem a população. Assim, a educação garantirá uma formação ética e moral do caráter brasileiro, e o “jeitinho” não fará parte da identidade nacional, como afirmou Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”.