A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 12/07/2021

A Constituição Federal de 1988 proporcionou mais autonomia para a intervenção do Ministério Público no combate à corrupção. Entretanto, atualmente, a persistência do “jeitinho brasileiro” configura-se como endêmica em nosso país e gera diversos impactos sociais e econômicos. Nesse sentido, convém analisarmos suas causas, consequências e uma possível medida para atenuar esse problema.

Inicialmente, cabe destacar que a impunidade é fator determinante para esse círculo vicioso. De acordo com dados divulgados na mídia sobre a Operação Lava Jato (2014 até hoje), o maior esquema de corrupção do mundo, boa parte dos envolvidos conseguiu se safar com acordos ou leves punições. Diante disso, é fato que o afrouxamento da justiça contribui para a persistência desse péssimo comportamento. Nesse viés, é pertinente que as leis sejam duramente aplicadas para gerar exemplos e evitar futuros escândalos midiáticos.

​Além disso, o convívio social, infelizmente, contribui na perpetuação de maus hábitos. Segundo Émile Durkheim, renomado sociólogo do século XIX, a sociedade molda o comportamento do indivíduo, o qual sofre influência de normas sociais. Nessa perspectiva, um ambiente social permeado por corrupção tenderá a permanecer nas próximas gerações, tornando-se natural e banal. Por isso, é extremante importante o papel da escola em instalar bons hábitos éticos e morais em nossas crianças e adolescentes.

Portanto, considerando nosso preocupante comportamento social do brasileiro, torna-se fundamental intervir educacionalmente. Para isso, o Ministério da Educação deve instruir a população, por meio das escolas, com a obrigatoriedade de uma disciplina de “Ética e Moral” no ensino médio e superior. Essa disciplina deve não só ensinar conceitos teóricos na perspectiva de filósofos e sociólogos, mas aplicá-los a nossa realidade pessoal e profissional com atividades teatrais. Espera-se, desse modo, maior reflexão e combate a esse triste fenômeno social.