A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 20/07/2021
O renomado escritor Machado de Assis, em sua fase realista, retratou as mazelas da sociedade e teceu críticas aos “jeitinho” dos habitantes da nação. Todavia, apesar do passar do tempo, não houveram grandes mudanças no comportamento da população do maior país sul-americano. Desse modo, observa-se que há uma lacuna educacional e um silenciamento sobre o problema, o que evita a sua resolução.
Primordialmente, nota-se uma insuficiência na atual grade curricular. De acordo com o filósofo iluminista John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco e adquire conhecimento através de suas experiências. Nessa perspectiva, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não têm cumprido seu papel no sentido de reverter o impasse, pois não traz às salas de aula conteúdo que ajam na solução da questão.
Por outro lado, há também a falta de debate sobre o assunto. Para o filósofo Michael Foucalt, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Sob essa lógica, observa-se uma lacuna no que se refere ao debate do “jeitinho” brasileiro, que tem sido silenciado. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre a problemática, sua resolução é impedida.
Conclui-se, portanto, que o “jeitinho” brasileiro é um problema moral que merece enfoque em pro de sua solução. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação promover debates mais profundos acerca do problema, por meio da adição do assunto na matéria de sociologia. Tal conteúdo deverá ser discutido durante o segundo e terceiro ano do Ensino Médio com a finalidade de promover a ética entre os cidadãos brasileiros. Logo, as críticas de Machado de Assis existirão apenas em seus livros e serão parte do passado do Brasil.