A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 12/08/2021

A Constituição Federal de 1988 proporcionou mais autonomia para a intervenção do Ministério Público no combate à corrupção. Entretanto, a persistência do “jeitinho”, um eufemismo para corrupção, configura-se como alarmante em nosso país. Isso se perpetua não só devido as insignificantes penalidades, mas também pelo comportamento coletivo.

Inicialmente, cabe destacar que a impunidade é fator determinante para esse círculo vicioso. De acordo com dados divulgados na mídia sobre a Operação Lava Jato (2014 até hoje), o maior esquema de corrupção do mundo, boa parte dos envolvidos conseguiu se safar com leves punições devido aos contatos na esfera política e penal. Diante disso, é fato que as interações políticas e o afrouxamento da justiça contribuem para a persistência desse péssimo comportamento. Nesse viés, é pertinente que as leis sejam duramente aplicadas para gerar exemplos.​

Além disso, o convívio social, infelizmente, contribui na perpetuação de maus hábitos. Segundo Émile Durkheim, renomado sociólogo do século XIX, a sociedade molda o comportamento do indivíduo, o qual sofre influência de normas sociais. Nessa perspectiva, um ambiente social permeado por pequenas corrupções tenderá a permanecer nas próximas gerações, cujo efeito cascata naturaliza a instalação de grandes esquemas corruptivos. Por isso, é extremamente importante o papel da escola em instalar bons hábitos éticos e morais em nossas crianças e adolescentes.

Portanto, considerando a preocupante habilidade do brasileiro em contornar transgressões, torna-se fundamental intervir educacionalmente. Para isso, o Ministério da Educação deve instruir a população, por meio das escolas, com a obrigatoriedade de uma disciplina de “Ética e Moral”. Essa disciplina deve promover atividades teatrais para conscientizar sobre o perigo de pequenas ações corruptivas naturalizadas no nosso cotidiano. Espera-se, desse modo, maior reflexão e combate a essa triste chaga social.