A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 29/09/2021
O documentário “Democracia em Vertigem” chocou seus telespectadores ao exibir os elevados índices de corrupção por trás da crise política do Brasil, em 2016. Movidos pela persistência do “jeitinho brasileiro”, os representantes eleitos burlavam as leis, trocavam favores e articulavam alianças para alcançar objetivos pessoais. Não obstante, embora a exposição cause alarde ao se tratar da esfera pública, seus alicerces encontram-se na corrupção cultural da sociedade verde e amarela, e tem como base a negligência governamental no âmbito da educação e a manipulação midiática. Destarte, dada a atuação do “jeitinho” brasileiro como obstáculo ao progresso da sociedade hodierna, é imperioso que se analise os fatores que culminam nesta problemática, de modo a mitigar seus impactos.
Em primeira análise, vale resgatar o aspecto supracitado no que tange à negligência governamental. Seja pela ineficiência, seja pelo interesse na ignorância da população, a contínua precarização da educação no Brasil faz-se conveniente ao perpetuar uma cultura corrupta. Sem qualquer tipo de informação e guiado por interesses pessoais, os cidadãos atuam de modo a normatizar tal problemática, ferindo o coletivo em função dos próprios interesses e, por conseguinte, a si próprios. Nesse contexto, a inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, descritas pelo sociólogo Zygmunt Bauman, uma vez que falha no cumprimento do seu papel social. Outrossim, para que a teoria do estudioso polonês seja refutada, é imperiosa a reação do Estado.
Além disso, a atuação midiática posiciona-se como catalisador do problema. A satirização da problemática e sua exibição como característica intrínseca ao brasileiro eterniza a corrupção, normatizando sua existência e configurando-a como ferramenta para manipulação das massas. Outrossim, conforme proposto pelo filósofo norte-americano Noam Chomsky, a mídia, estabelecida como instrumento coercitivo, passa a atuar de forma anti-democrática ao inferir a aceitação da corrupção como inerente ao sistema político. Dessa forma, a regulamentação dos expoentes midiáticos mostra-se urgente ao se tratar da eficiência do sistema democrático do país.
Diante do exposto, é imperioso o combate ao “jeitinho” na sociedade brasileira. Assim, atuação do Ministério da Educação mostra-se urgente, de modo a instrumentalizar a população e, seja através de palestras ou da educação nas escolas, exibir os prejuízos associados à corrupção nas esferas sociais. A regulamentação midiática, por parte do Congresso Nacional, também faz-se necessária, para, em parceria com os programas educacionais, impedir a alienação dos cidadãos e, assim, assegurar o perfeito funcionamento do sistema democrático no país, evitando que o exposto no documentário “Democracia em Vertigem” volte a se repetir.