A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 29/09/2021
No longa brasileiro “Os Caras de Pau”, o personagem interpretado por Leandro Hassum adota o “jeitinho brasileiro” como meio para atingir o sucesso. Infelizmente, esta é a realidade de muitos brasileiros que, influenciados pelo sofismo grego, perpetuam esta prática. Destarte, a insuficiência legislativa no âmbito da garantia dos direitos individuais, acrescido da passividade do corpo social, atuam no sentido de fomentar este problema. Por esse motivo, é imperativo que sejam analisados os motivos que levam à persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Em primeira análise, resgata-se o aspecto supracitado no que diz respeito à insuficiência legislativa. Apesar de existir uma quantidade exorbitante de leis no Brasil, estas não são efetivas no combate ao “jeitinho brasileiro”, que procura lacunas legais para se instalar. Por esse motivo, o Estado perde sua função social e passa a atuar como uma Instituição Zumbi, conforme descrito pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, ao agir sem quaisquer ações contundentes frente à problemática. Portanto, é urgente a atuação do Congresso Nacional para modificar esta realidade.
Ainda, a passividade do corpo social brasileiro atua como um catalisador do problema. Isso ocorre devido à falta de interesse da sociedade em aferir aversão a esse tipo de comportamento, uma vez que beneficia-se dele para resolver situações cotidianas. Nesse âmbito, a filósofa existencialista Simone de Beauvoir encontra eco na conjuntura nacional ao afirmar que o fato mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles. Tal reflexão expõe um dos motivos pelos quais o “jeitinho” se consolida enquanto prática nacional. Em vista disso, é necessário exercitar a consciência coletiva para resolver o problema.
Diante do exposto, é impreterível a atuação do Estado para inviabilizar a perpetuação do “jeitinho brasileiro” no repertório social brasileiro. Para tanto, é necessário que o Ministério da Cidadania, em conjunto com os estados e municípios, realize a conscientização da população, o que deve ser promovido através de palestras e debates que efetivem a discussão sobre os impactos do “jeitinho” na sociedade hodierna. Dessa forma, histórias como aquelas protagonizadas por Leandro Hassum não mais se reverberarão na prática, o que corrobora o bem-estar social e assegura o princípio da isonomia nacional.