A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 11/10/2021
No início da vacinação contra o coronavírus, duas irmãs médicas de uma família tradicional do Amazonas foram acusadas de fraude ao serem contratadas para cargos comissionados poucos dias antes da imunização para profissionais da saúde. Tal ação pode ser relacionada ao hábito comum no Brasil de infringir regras para atingir objetivos particulares, podendo prejudicar pessoas que não estão envolvidas nisso. Desse modo, é fundamental esclarecer a origem e perpetuação desse “jeitinho” brasileiro e as consequências dessa corrupção para a sociedade em geral.
Em primeiro plano, esse comportamento é objeto de discussão da Sociologia no país, ciência que pretende entender o por quê e como algumas ações humanas ocorrem. Sob tal óptica, Sérgio Buarque de Holanda em sua aclamada obra “Raízes do Brasil”, analisa tal atitude como originária dos países ibéricos e adaptado em terras brasileiras, favorecida pela falta de leis e pela desorganização civil existente desde o período da colonização portuguesa. Com isso, o “jeitinho” se tornou inerente à população, perpetuando-se até ser considerado algo natural.
Por outro lado, essa prática contribui para a falta de credibilidade das instituições e prejuízos a todos que são subordinados às mesmas. Nesse âmbito, como o próprio Sergio Buarque relata, os interesses particulares se sobrepõem aos dos demais, ocorrendo frequentemente em Orgãos Públicos, os quais deveriam, na teoria, beneficiar o povo em geral com igualdade, atos corruptivos como lavagem de dinheiro, nepotismo e fraudes, por exemplo. Logo, a recorrência constante desse fenômeno oferece precedência para que aconteça ações em larga escala, capzes de afetar inúmeras pessoas em prol de vantagens para um único indivíduo ou grupos limitados que detêm poder, dentre eles, políticos envolvidos em esquemas de corrupção.
Portanto, é indispensável que a sociedade repense e rejeite esse hábito para se tornar mais justa e igualitária. Para tanto, cabe aos educadores do ensino básico do país da área de Ciências Humanas realizarem aulas que abordem as manifestações e efeitos desse “jeitinho” na história brasileira, aliado a debates entre os alunos acerca da importância de superar esse comportamento para a construção de cidadãos mais íntegros, conscientizando esses jovens e as futuras gerações a descontinuarem tais ações. Por fim, é dever do Judiciário punir mais severamente servidores e autoridades públicas que atuarem dessa forma, cassando mandatos e exonerando corruptos.