A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 17/11/2021

A obra modernista Macunaíma descreve, de forma caricata, o traço oportunista e inescrupuloso contido na identidade brasileira. Essa característica embora literariamente atrativa, conota a triste realidade verde e amarela, cuja consequência desse comportamento evidencia-se em escândalos de corrupção. Portanto, faz-se necessário a análise da origem do “jeitinho” e o combate a esse mal.

Nesse contexto, é possível utilizar a filosofia de Immanuel Kant a fim de explicar a adoção de ações antiéticas por parte da população em geral. Segundo o conceito de imperativo categórico, atos imorais são aqueles que quando praticados por toda sociedade, causam o caos. E pelo fato dos brasileiros enxergarem suas ações de forma isolada, os mesmos utilizam-se diaramente de subterfúgios para obter vantagens.

Fatalmente, o hábito oportunista alcança as esferas superiores de poder, e reverbera sob a forma de crimes de desvio de dinheiro público e obtenções de vantagens desnecessárias. Dessarte, observa-se a ocorrência de eventos históricos como o mensalão e o petrolão, e concomitantemente, ve-se o destino de recursos para gastos tão exorbitantes quanto supérfluos: auxílio paletó e verba de gabinete para deputados cujos salários já são o suficiente pra supirir suas vidas e atividades profissionais.

Sendo assim, é fulcral o abandono do comportamento “malandro” por parte de todas as camadas sociais do território. Para tal, exemplos de cidadania devem ser realizados de forma vertical, com representantes dos poderes legislativo e executivo abdicando de privilégios monetários, e divulgando, por meio de redes sociais, prestações de contas ilibadas sobre licitações de obras públicas. Estas medidas inspiraração os demais cidadãos a agir conforme valores éticos, afastando-se do estereótipo modernista do “herói de nossa gente”.