A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 08/02/2022
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. Entretanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, visto que a persistência do “jeitinho” no cerne de discussão vigente apresenta desafios, os quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema com contornos específicos, fatores como lenta mudança na mentalidade sociocultural e lacuna na base estrutural familiar caracterizam tal cenário temerário.
Em primeiro plano, deve-se destacar que a lenta mudança na mentalidade sociocultural estimula visceralmente a mazela. Por conseguinte, conforme o sociólogo Emile Durkheim, o fato social é maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é perceptível que a questão da persistência do “jeitinho” no cerne de discussão vigente é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, opressor e injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, assim, vale mencionar que a atuação de figuras que transmitem autoridade, por exemplo, são capazes de influenciar diretamente o indivíduo, sob atitudes corruptas ou inadequadas. Logo, ações de remediação são impossibilitadas, o que dificulta a erradicação do problema.
Outrossim, é notório que a problemática encontra terra fértil na formação familiar. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a persistência do “jeitinho” apresenta-se como um pensamento passado de geração a geração, o que agrava seu extermínio por forças externas, dado que a questão encontra-se dentro das casas das pessoas brasileiras e estende-se por uma longa linha do tempo.
Destarte, medidas exequíveis são imprescindíveis a fim de mitigar o imbróglio. Nesse contexto, é necessário que as prefeituras, em parceria com o Governo do Estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo que a visualização do assunto seja possível, além de palestras de sociólogos que orientem os jovens e suas famílias, com embasamento científico. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo a nocividade da temática e a coletividade alcançará a Utopia de More.