A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.

Enviada em 18/04/2022

No livro ’´Jeitinho brasileiro, a arte de ser mais igual do que os outros", da antropóloga Lívia Barbosa, discute a estereotipação do jeito como os brasileiros encaram situações problemáticas, de forma que trabalha com a ambiguidade entre o povo alegre, brincalhão e o charlatão. Assim como retratado, foi necessário que a sociedade brasileira procurasse uma maneira hábil para lidar com as dificuldades do cotidiano, muitas vezes visando o benefício próprio. Logo, urge a necessidade de combater um dos males que ainda persiste na sociedade, acarretado pelo costumeiro ´´jeitinho´´ brasileiro, a corrupção.

Em primeiro plano, é imperiosa a compreensão das divergências sociais presentes no Brasil, na qual os muitos que tem pouco necessitam de um meio para aliviar as angústias ânfemeras. Um forte agente do ´´jeitinho´´ brasileiro é a exploração colonial, que teve início em 1532, mas deixou sequelas que perpetuaram, como a opressão da sociedade, que ocasionou na necessidade de uma abordagem astuta para se conseguir o indispensável. Evidencia-se assim, que essa falha social é muito mais do que uma imoralidade velada conceituada como parte da identidade nacional, mas uma forma de se sobreviver em meio ao desfavorecimento de minorias.

Ademais, vale ressaltar que 83% dos brasileiros afirmam já ter cometido algum tipo de corrupção, segundo Datafolha, dentre elas os pequenos furtos, consumos de piratarias e desrrespeito às leis de trânsito. Esse panorama lamentável ocorre pelo fácil burlamento de leis, o qual a sociedade tem conhecimento da cegueira governamental em punir esses delitos. Nesse ínterim, é necessário que o posicionamento popular seja reavaliado, que mudem suas visões e interesses.

Tendo em vista a forma da sociedade brasileira de lidar com as situações problemáticas são necessários que medidas sejam tomadas. É cabível ao Ministério da Justiça e a Polícia Federal, principal instituição policial do Brasil, maior apuração de pequenas infrações, através de mais vigilância, para fim da marginalização do ´´jeitinho´´ brasileiro. Nesse meio, a forma como os brasileiros lidam com situações problemáticas será invejado, não mais ridicularizado.