A persistência do “jeitinho” na sociedade brasileira.
Enviada em 27/10/2022
A expressão “Jeitinho brasileiro’ é corriqueiramente utilizada de forma positiva para definir a pequena corrupção diária prática pela população. Posto isso, é possível perceber que a persistência desses comportamentos é causada pelo individualismo exacerbado que utiliza de práticas ilegais e imorais para benefício pessoal. Em consequência disso, a corrupção institucional e o patrimonialismo são reflexos dessa forma de pensamento.
Sob esse viés, esse modo de agir é originado, em virtude de um corpo social indiferente ao bem-estar coletivo. Nesse sentido, Pierre Bourdieu criou o conceito de ‘’Habitus’’, isto é, práticas culturais naturalizadas e incorporadas, mediante o processo de socialização. A partir disso, ações, como “colar na prova”, “furar filas”, desobedecer às leis de trânsito, são exemplos dessa “Habitus” que deslegitima normas responsáveis pela manutenção harmônica da sociedade. Em virtude disso, a expansão dessas condutas as esferas públicas acarretam problemas para o país.
Por conseguinte, a persistência desses costumes impede a administração correta do Estado. Com isso líderes eleitos com o intuído de defender a vontade popular, priorizam o enriquecimento individual e familiar se envolvendo em crimes de desvio de dinheiro público, de “rachadinha” e de compra de voto parlamentar. Diante desse cenário de corrupção, os órgãos públicos são as mais afetadas, por isso, tornam-se “Instituições Zumbis”, termo cunhado por Bauman para referir-se a perda de funcionalidade governamental, uma vez que existe, mas não cumpre sua função. Sendo fica evidente que essa mentalidade precisa ser extinta para a resolução dessa problemática.
Destarte, é mister que as escolas, posto que são responsáveis pela transformação social, fomente o fim do “Jeitinho brasileiro”, por meio de aulas de sociologia e filosofia, palestra e simpósios, que estimulem a criticidade dos alunos e demonstrem os riscos da persistência dessas práticas. Tudo isso a fim de formar uma sociedade mais honesta e que prioriza a coletividade. Assim, promovendo um Estado que garanta as demandas populares e que deixe de ser “zumbi”.