A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 02/09/2019
Na Literatura brasileira, Castro Alves foi nomeado o “poeta dos escravos”, pois buscou enaltecer a imagem do homem negro como cidadão portador de direitos e igualdade diante das questões sociais do período escravocrata. No entanto, apesar da sua importância e da formulação de leis protecionistas nos dias atuais, a população negra ainda enfrenta o principal problema brasileiro: racismo como limitador de oportunidades. Assim, evidencia-se a necessidade de analisar criticamente os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.
A princípio, vale ressaltar o progresso obtido na luta contra a discriminação. Mário de Andrade, importante escritor brasileiro, diz: “o passado é lição para se meditar, não para se reproduzir”. Tal assertiva se refere ao Período Colonial, quando indivíduos africanos e seus descendentes eram submetidos ao trabalho exaustivo e violento na mineração e na produção de cana-de-açúcar devido a sua raça. Por tudo isso, a Constituição Federal de 1988 - até hoje vigente - formulou a Lei 7.716 em prol de amenizar desigualdades, assegurar a criminalização para quem propagar a intolerância racial e, por fim, garantir às vítimas o direito à vida. Além disso, a partir de 2012, após amplo debate no Supremo Tribunal Federal, as ações afirmativas passaram a ser essenciais para cumprir a Lei 7.716.
Ademais, também é importante destacar os desafios enfrentados pela comunidade negra. Dessa forma, igualmente aos anos vividos por Castro Alves, a sociedade atual vivencia não apenas pessoas com fenótipos de afrodescendentes - características visíveis, como cabelo e cor de pele - terem oportunidades de trabalho e de estudo negadas, mas também participarem dos maiores índices de vítimas de homicídios. Isso é comprovado pelos dados encontrados na plataforma digital Estadão, onde mostra que cerca de 80% dos homicídios são contra a população negra e este número se relaciona ao analfabetismo e ao desemprego; algo grave, tendo em vista que inúmeras pessoas estão perdendo as suas vidas e que o Brasil está fracassando em cumprir, na prática, a Lei 7.716 e as ações afirmativas.
Depreende-se, portanto, que o racismo no Brasil tem suas raízes históricas, mas que se refletem até os dias atuais e isso é prejudicial para a luta a favor da igualdade. Para tanto, o Poder Legislativo, órgão responsável pela legislação, deve investir em estratégias visando beneficiar a inclusão do negro no mercado de trabalho, por meio da elevação do número de cotas destinadas a eles em concursos públicos. Somado a isso, cabe ao Ministério da Educação investir não somente na ampliação do número de vagas para crianças e jovens negras nas escolas públicas, mas também organizar palestras, gincanas e oficinas objetivando desenvolver a igualdade. Enfim, a efetivação de tais medidas são capazes de salvar a vida de inúmeros brasileiros e devem ser imediatamente iniciadas.
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