A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 17/09/2019
O racismo se configura pelas relações de poder que definem a superioridade de determinada etnia em relação à outra. Com o advento da Expansão Marítima e colonização da América, a escravidão de povos nativos e africanos era justificada pela hierarquia de raças que, por conseguinte nos legou o atual e perdurante racismo. Logo, tal ato discriminatório está cristalizado na cultura canarinha, de forma que é praticado, porém não percebido.
O chamado racismo estrutural é de difícil percepção e se trata de práticas, falas e situações embutidas nos nossos costumes que promovem direta e indiretamente a segregação racial. No Brasil é bastante recorrente, pois se deve ao processo histórico de formação do país, haja vista que aproximadamente 5 milhões de negros africanos foram trazidos às terras brasileiras na condição de escravos por quase 4 séculos, tornando o Brasil o último país americano a abolir a escravidão.
Ao se observar o contexto atual das relações étnicas brasileiras, faz-se notório que fatores como pobreza, violência, desemprego e analfabetismo afetam mais a população negra. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos é mais que o dobro em relação aos brancos. O Sistema Integrado de Informações Penitenciárias - InfoPen relata que de 30 mil jovens assassinados, 77% são negros.
Um país em que negros correspondem a 70% de 16 milhões de brasileiros que vivem em extrema pobreza não pode se considerar um país onde há democracia racial. O uso de expressões racistas como “moleque” e “negrinho” frequentemente usadas no cotidiano brasileiro revelam o racismo mascarado presente na sociedade e na própria cultura.
Em virtude dos fatos mencionados, como possível ação de combate ao racismo no Brasil, o Ministério da Educação e Cultura - MEC poderá realizar capacitações para professores realizar campanhas com o objetivo de incentivar o debate sobre racismo nas salas de aula, promovendo dessa forma, o respeito. O Poder Executivo poderá elaborar políticas públicas para inserção do negro de forma total na sociedade, sanando dívidas históricas de mais de 500 anos colaborando para o reconhecimento do negro e da sua cultura bem como sua influência na construção histórica do Brasil.