A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 10/09/2019
Com a “descoberta” do Brasil pelos portugueses, em 1500, e a posterior escravização dos povos africanos, a comunidade brasileira formou-se baseada no multiculturalismo e em uma quantidade imensa de etnias. Contudo, a persistência do racismo na comunidade brasileira evidencia que esse processo de integração entre culturas não se deu de forma ideal e, dessa forma, é preciso conhecer os diversos estigmas desse problema, na propensão de solucioná-lo.
Em uma primeira análise, sob a ótica sociológica, observa-se que a continuidade do racismo no Brasil é intrinsecamente fomentado pela omissão do Estado. Apesar de a Constituição de 1988 garantir que todos os cidadãos brasileiros são iguais e que o país deve promover políticas públicas para efetivar tal direito, é evidente constatar que isso tem se tornado uma utopia nos últimos anos, de acordo com as barbáries recentes praticadas contra negros. Em uma delas, na cidade de São Paulo, um garoto negro foi covardemente torturado por seguranças de um shopping ao tentar realizar um furto, de acordo com a revista Exame. Se, em 2019, casos análogos a esse permanecem sendo noticiados pela mídia, salienta-se que a falta de medidas políticas para coibi-los são as causas de sua continuidade. Dessa maneira, a superação desse dilema configura-se como importante desafio político nacional.
Ademais, em um segundo plano, a falta de educação da comunidade brasileira é um mecanismo intenso desse impasse. Com uma mentalidade notadamente errônea que faz prevalecer a intolerância ao que é diferente, muitos brasileiros insistem, inconscientemente, em praticar a teoria do Darwinismo Social, criada por Herbert Spencer - a qual defende a superioridade de uma sociedade humana perante a outra, visto aspectos como a cor da pele - garantindo a segregação social e o racismo. Prova disso foi o assassinato, também de um garoto, na semana passada. Segundo a Folha de São Paulo, ele vendia doces durante uma operação da polícia militar e, por ser negro, acabou sendo confundido com traficantes e baleado, vindo a óbito no Rio de Janeiro. Nesse sentido, parafraseando o educador Paulo Freire, somente a educação pode realizar transformações na sociedade.
Portanto, medidas devem ser tomadas para a atenuação da problemática. Destarte, faz-se mister que os deputados, por meio de propostas de lei na câmara, promovam a criação de políticas públicas que visem punir a prática do racismo no país, contanto que elas garantam a ressocialização dos infratores. Além disso, é dever do Ministério da Educação, por meio das escolas, realizar palestras e debates com pais e alunos a respeito da temática. Elas devem incentivar a prática do respeito e empatia, para que cidadãos conscientes sejam formados. Agindo assim, será possível atenuar o racismo no Brasil, garantindo, finalmente, um processo ideal de integração entre as etnias presentes.