A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 18/09/2019

De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, as misturas sociais, culturais e étnicas é reflexo direto de um mundo globalizado. No entanto, essa hibridização não é bem vista por grande parte da população brasileira, contrariando a história de sua formação. Sabe-se que o Brasil é um país permeado por todo tipo de trocas, desde o processo de colonização, fato que, em sua obviedade, já poderia desconstruir o potencial de uma nação racista. Contudo, infelizmente, o racismo persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela insuficiência de leis, seja pela lenta mudança de mentalidade social.

Em primeiro lugar, a questão constitucional e sua aplicação está entre as causas do problema. Conforme Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Contudo, é possível perceber que, no Brasil, o preconceito racial rompe essa harmonia; haja vista que, embora esteja previsto na Constituição o princípio da isonomia, no qual todos devem ser tratados igualmente, porém muitos cidadãos se utilizam de discursos eugenistas para externar ofensas e excluir socialmente pessoas negras. Em casos extremos, essas manifestações podem levar danos irreparáveis ao indivíduo, como foi o caso do jovem negro amarrado e chicoteado por seguranças em um supermercado na cidade de São Paulo.

Além disso, o reflexo desse sentimento é a resistência em aceitar figuras negras como merecedoras de reconhecimento. Em assuntos que são referentes às próprias escolas, é comum ver o “embranquecimento” de figuras notáveis que foram negras, como o jornalista Luiz Gama e inclusive o grande escritor Machado de Assis, o qual aparece em diversas capas de livros com a pele de tom claro. Tal negação da figura negra desestimula a parte da população que poderia se inspirar nesses nomes para buscar o sucesso, uma vez que também segundo o IBGE, 54% da população brasileira se identifica como negra ou parda.

Infere-se, portanto, que o racismo é um mal para a sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao Governo Federal construir delegacias especializadas em crimes de ódio contra a população negra, a fim de atenuar a prática do preconceito na sociedade, além de aumentar a pena para quem o praticar. Ainda cabe à escola criar palestras sobre as culturas afro-brasileiras e suas histórias, além de mostrar a importância de figuras como do escritor Machado de Assis. Ademais, a sociedade deve se mobilizar em redes sociais para denunciar casos de racismo e inclusive conscientizar a população sobre os males do racismo e qualquer tipo de preconceito.