A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 26/09/2019

O ativista do movimento negro nos Estados Unidos, Luther King, dizia ter como seu maior sonho poder ver um dia seus filhos viverem em uma nação que os julgassem por suas personalidades e não por suas cores de pele. Paralelamente, o racismo ainda persiste nas sociedades pós-escravistas como o Brasil e o Estados Unidos. Dessa forma, a persistência da discriminação contra negros no Brasil possui raízes históricas. Diante desse preocupante quadro, o tardio processo de abolição da escravidão no país e a falta de inclusão escolar dos negros se apresentam como possíveis responsáveis do problema.

Em primeiro lugar, o fim da escravidão no Brasil ocorre de maneira tardia e sem planejamento, o que corrobora com a persistência do racismo no país. O Brasil foi o último país da América do Sul a abolir a escravidão, o que demonstra a lentidão do Estado no combate as desigualdade sociais. No entanto, foi a falta de planejamento social após a abolição que influenciou ainda mais na persistência da descriminalização dos negros, visto que faltou da parte do Estado medidas que incluíssem os antigos escravos na sociedade. Dessa maneira, os negros continuaram a serem marginalizados no país, pois não tiveram acesso à serviços como moradia e terras, o que torna evidente a necessidade de combater a desigualdade para mitigar o racismo no país.

Por conseguinte, a educação possui imenso poder de combater o racismo, porém a falta dela contribui na persistência do problema. Sob a perspectiva do filósofo Kant, é através da educação que o homem sai da menoridade e entra na maioridade, em que possui a autonomia do pensar. Nesse sentido, a educação possui a capacidade de dar autonomia aos indivíduos e libertá-los das amarras do racismo. Dessa forma, a não inclusão dos negros na escolas e universidades praticada no Brasil ao longo da sua história impossibilita o alcance da maioridade e contribui na persistência do preconceito contra negros.

Infere-se, portanto, que a persistência do racismo possui razões históricas. Para que os negros alcancem a autonomia da razão e, consequentemente, social referida por Kant, urge que o Ministério da Educação promova a inclusão integral dos negros nas escolas e universidades, por meio do combate à evasão escolar e com a promoção de bolsas de ensino em localidades com maioria negra. Em adição, essas medidas terão como objetivo reverter o triste cenário de marginalização social dos negros. Somente assim, ativistas políticos como Martin L. King, terão seus sonhos de viverem em uma sociedade justa realizados.