A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 21/10/2019

De acordo com o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, professor da Universidade de Coimbra, países latino-americanos possuem grandes heranças de seus períodos coloniais, as quais ele condensou no conceito de “colonialidade”. No Brasil, esse cenário não é diferente, já que práticas como o racismo chegam a ser naturalizadas e institucionalizadas, reforçando a voz segregacionista de um passado conturbado. Em primeira análise, é possível selecionar eventos ocorridos em 2019 que condizem com a prática do racismo, como o espancamento e a tortura de um jovem negro por parte de seguranças do supermercado “Extra”, no Rio de Janeiro. Tal situação extrema, evoca, de maneira desgostosa, práticas de um passado próximo, o qual jamais deverá ser esquecido: o passado escravocrata. Para mais, cita-se o assassinato de Ágatha Félix, aos 8 anos de idade, em uma das operações policiais no Complexo do Alemão, também no Rio de Janeiro. É evidente, portanto, que, no que tange à manutenção da segurança pública, há um uso indiscriminado da violência sobre minorias pretas e pardas. Em segunda análise, essas realidades intercruzam-se de várias maneiras nas vivências dos brasileiros, gerando inúmeras consequências para o organismo social, entre as quais podem-se citar o distanciamento salarial entre pretos e brancos, como levantado por pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essa diferenciação de renda se confunde, de certa maneira, com a segregação espacial entre os mesmos grupos étnicos, como criticava, acertivamente, o Geógrafo Milton Santos. Dessa forma, para diminuir as disparidades socioeconômicas entre os diferentes grupos étnicos brasileiros, bem como findar o racismo engendrado nas instituições que se dizem democráticas, o Estado deve ampliar seu campo de visão ao contexto educacional-universitário. Assim, por meio de incentivos à criação de projetos de conscientização por parte dos professores de escolas e universidades, públicas e privadas, bem como a discussão teórica e prática do tema em sala de aula, tomando autores que criticam a estruturação racial na sociedade latino-americana, como Djamila Ribeiro e Milton Santos. Com isso, contibuir-se-á para a (re)construção de um país extremamente rico, ao se romper o silêncio daqueles que o protagonizam.