A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 03/01/2020

Durante o século XIX, a ciência criou o conceito de determinismo biológico, utilizado para legitimar o discurso preconceituoso de inferioridade de grupos. Na conjuntura atual, esse fato estarrecedor, caracterizado por uma conduta nociva à população negra, se orienta a partir de uma concepção que não só desconsidera os efeitos de 388 anos de escravidão, mas que também se utiliza de ambientes onde a ocultação da identidade impera para tentar disseminar a intolerância.

Em primeira análise, vale ressaltar os desdobramentos da abolição da escravidão. Erradicada não só em função dos reais motivos, mas principalmente em virtude da estratégia de mercado, esse processo fundamentou-se num modelo que atendia os interesses da elite. Entretanto, a liberdade conferida aos escravos não veio junto com uma política de reparação de danos, fazendo com que passassem agora a aceitar condições aviltantes de trabalho com salários ínfimos e sendo obrigados a se afastar dos grandes centros e se instalarem na periferia, onde o acesso às oportunidades eram bem menores. Reféns da omissão do Estado, a população afrobrasileira é reduzida à condição de “favelado”, como se o seu grau de melanina tivesse alguma relação com a integridade moral do ser humano como defende conceito de determinismo biológico.

Paralelamente a essa dimensão estrutural, observa-se o comportamento virtual de certos indivíduos como uma ameaça ao exercício dos direitos assegurados em lei pela Constituição Federal de 1988 que prevê que a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão. Contudo, as redes sociais atrelada aos perfis falsos “fakes” proporcionam a difusão do discurso intolerante de forma instantânea e de grande alcance, porque os emissores desse conteúdo se apoiam em pressupostos de que a impunidade garante a reiteração de atos ilegais. Dessa forma a cultura negra é reprimida e seus direitos são relativizados pois já foram, de antemão, rotulados.

Dado o exposto, percebe-se que a problemática em questão vai da negação do passado ao uso indiscriminado das redes sociais. Logo, a tentativa de resolução desse impasse, passa por uma atuação efetiva do Superministério da Cidadania e sua ação deve estar ancorada no planejamento e formulação de políticas públicas de produção cultural para a inclusão de grupos minoritários objetivando descontruir uma ideologia de superioridade de parte da população. A mídia com seu poder de persuasão é imprescindível, pois suas campanhas esclarecem dúvidas, levantam questões e promovem debates. Espera-se com isso um país mais plural e garantidor de direitos indispensáveis a dignidade humana.