A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 21/01/2020

De acordo com o físico alemão Albert Einstein,é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.As palavras da mente brilhante,apesar de proferidas no século passado,fazem-se relevantes hodiernamente,em virtude de,mesmo após as incontáveis conquistas sociais dos negros,como a criminalização da discriminação racial,a mentalidade coletiva insistir em permanecer arcaica.Observando o problema sob um prisma histórico,torna-se inequívoco que a persistência do racismo possui suas raízes na Colonização,e está institucionalizado na sociedade brasileira,de maneira que,se não tomada as providências devidas, os ecos dessa desigualdade se perpetuarão sob as gerações futuras.

A princípio,é necessário contemplar como a escravidão consagrou o racismo de modo a esse perdurar até os dias atuais.Segundo a visão católica da época,negros eram considerados homens sem alma,portanto,poderiam ser subjugados.Esse parecer,a posteriori,foi corroborado pela pseudociência eugenista do Darwinismo Social,que maliciosamente considerava a etnia inferior na escala evolutiva.Hoje, a Constituição prevê isonomia entre os indivíduos, independente de sua cor.Todavia, anos de escravidão foram suficientes para ocasionar abismos sociais,resultando na hostilização sofrida pelos afrodescendentes no cotidiano.Prova disso,é o famoso caso da jornalista Maju Coutinho,vítima de comentários racistas na internet ao fazer sua estreia no Jornal Nacional.Por meio de episódios como esse, é que se revelam as heranças mais perversas da colonização.

Outrossim,é notável a manifestação do preconceito através do racismo institucionalizado.De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública,75% dos assassinados pela polícia são negros.Embora em seu livro,Casa Grande e Senzala,Gilberto Freyre defenda o Brasil como um país detentor de certa democracia racial, percebe-se um equívoco cometido pelo antropólogo,posto que,os negros sofrem ameaças de vida diariamente pelo simples fato da cor de sua pele,circunstância inimaginável para uma pessoa branca.Isso torna-se perceptível através de casos como o do músico morto pelo Exército com 80 tiros de fuzil,em 2019.Evidencia-se,por meio deste,e de outros inúmeros casos análogos,o preconceito latente na sociedade,que revela sua face mais nítida através da violência polícia.

Infere-se,pois,como a persistência do racismo é inaceitável,devendo,portanto,ser combatida através da justiça.Para tal,é mister que o Poder Legislativo elabore leis mais rígidas ao punir a prática de discriminação,por meio da consumação dos crimes de racismo e injúria racial como hediondos.Paralelamente, ao Judiciário cabe aplicar de forma eficiente tais leis,a fim de intimidar os racistas e promover de forma definitiva a extinção dessa prática infeliz da sociedade.