A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 31/01/2020

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Na obra “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo, é retratada a história de Bertoleza, escrava alforriada e amante de João Romão, por quem é enganada e humilhada diariamente pelo fato de ser negra. Fora da ficção, a realidade brasileira mostra-se análoga a da trama: o racismo ainda persiste na sociedade atual e configura-se como uma barreira social à população negra no país. Isso deve-se, principalmente, à fatores de origem histórica e a representação destorcida da cultura africana na mídia contemporânea.

Em primeira análise, é cabível citar como causa primária para a problemática o falho processo abolicionista brasileiro. Apesar de promulgada em 1888, a Lei Áurea  garantiu apenas a liberdade dos afrodescendentes sem assegurar a inserção social deste grupo o que acarretou a marginalização do mesmo. Tal fato reflete-se até os dias atuais: a população negra  ainda protagoniza, em sua maioria, as maiores desigualdades e mazelas sociais existentes no Brasil. Neste sentido, é nítido que o passado histórico brasileiro corrobora para a desvalorização do negro e para a persistência do racismo.

Por conseguinte, a exibição da cultura e dos costumes africanos nas mídias de forma equivocada é outro fator responsável pela descriminação racial. Consoante ao líder negro Nelson Mandela, as pessoas não nascem com o ódio pelo diferente, mas são incentivadas a construir esse sentimento. Tal lógica mostra-se assertiva no Brasil: a representação do negro pelos meios de comunicação é feita de modo estereotipado, muitas vezes com o intuito de ridicularizar esta classe, o que incentiva o desrespeito e o  preconceito racial no país, tal como observado  na obra de Aluísio de Azevedo e em outras literaturas nacionais.

Isto posto, torna-se necessário um debate a nível nacional sobre o tema. É cabível ao Ministério da Cidadania estabelecer uma parceria com o Ministério  da Educação para que juntos possam combater a problemática. Para isso, o investimento em materiais didáticos que abordem a trajetória negra e a sua importância para a composição da sociedade brasileira e para a identidade da mesma é fundamental. Somado a isso, a garantia legal da participação negra na mídia nacional de forma democrática e não estereotipada é de extrema importância para o reconhecimento simbólico deste povo. Somente assim, será possível trocar o ódio pelo respeito, tal como idealizado por Mandela e garantir que os brasileiros possam começar uma nova história, onde o preconceito estará apenas em livros antigos.