A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 01/02/2020
No período colonial no Brasil, negros africanos eram trazidos como escravos em navios negreiros, onde desumanamente eram vítimas de violência física, de doenças e de fome. Apesar de atualmente essa prática brutal ter sido abolida, ainda é perceptivelmente deplorável, a existência e persistência do racismo na sociedade brasileira. Desta forma, faz-se necessário ações mais efetivas no combate a esse ato hostil e, de cunho descriminatório.
Em primeira análise, faz-se necessário compreender que a base familiar é causa notória da questão. Nesse sentido, o filósofo genebrino, Jean Jacques Rousseau, defende que “todo homem é bom, mas a sociedade o corrompe”. Isso que dizer que o ser humano é o somatório das influências que teve – sua formação genética, acadêmica e social e é exatamente, nessa questão que a família tem seu papel primordial. Pois, ela é a primeira instituição social de todo ser humano e em conjunto com a escola serão os principais responsáveis pela sua formação cidadã que influenciará nas decisões e forma de pensar futuras desse indivíduo. Sendo assim, nota-se que o racismo tem uma raíz profunda e histórica, que veio se estruturando e contribuindo cada vez mais, para a intolerância racial.
Última nação ocidental a conceder liberdade aos escravos, com a Lei Áurea, de 1888, o Brasil buscou construir, desde então, uma autoimagem de território de respeito às diferenças e de convívio racial pacífico. A Lei Áurea, no entanto, foi conservadora em seu texto e não contou com qualquer ressarcimento ou política de inclusão para populações que ficaram tanto tempo afastadas da cidadania, do direito à educação e da liberdade de ir e vir. O resultado, previsível, foi a perpetuação de uma violência social herdada do passado, mas renovada no presente. Se foi injustificável o descaso a que acabaram relegados milhares de ex-escravizados, foi também persistente a luta deles pela liberdade plena. Uma luta que ecoou em seus descendentes e que hoje se traduz em batalha por representatividade e mais espaços de poder. Conquista bem conhecida dos brasileiros, a política de cotas, por exemplo, vem legando uma mudança na feição das universidades e das repartições públicas – hoje mais heterogêneas.
avanços na política de inclusão racial no Brasil, entretanto, ainda continuam pontuais e resultam de pressões da sociedade organizada. O país permanece sem uma política de Estado coordenada, ampla, que ultrapasse governos e esteja presente em diferentes pastas, como o Ministério da Justiça – com políticas mais precisas de ressocialização da população carcerária, em sua maioria negra – e o Ministério da Educação – com ações sistemáticas de conscientização em eventos e materiais didáticos. Só assim, será possível minimizar de forma mais efetiva o abismo racial que ainda assola o país.