A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 27/01/2020
No Brasil colonial, os negros escravos eram proibidos de praticarem suas religiões e eram obrigados a seguirem o catolicismo, religião em que os portugueses acreditavam. Desse modo, surgiu uma forma de resistência: o sincretismo religioso, ou seja, a junção de elementos africanos e católicos, numa forma de continuarem a praticar suas crenças sem os europeus terem conhecimento. Dessa forma, é imprescindível perceber que o racismo decorre de séculos de escravidão no Brasil e continua a acontecer atualmente, apesar de tanto tempo ter se passado. Assim, é necessária uma reflexão sobre os motivos e as decorrências dessa persistência.
Primeiramente, o racismo continua tão frequente porque o negro não foi incluído efetivamente na sociedade quando a escravidão acabou, em 1888. Não foi disposto a ele nenhuma ajuda financeira ou emprego para que ele se erguer econômica e socialmente, o que fez com que ficasse à margem da sociedade todo esse tempo, sofrendo preconceito constantemente. Desse modo, a imagem do negro foi associada à violência e ao crime, o que faz com que ele não desfrute dos mesmos privilégios que o branco tem. Uma exemplificação disso é a obra “Úrsula”, de Maria Firmina dos Reis, que é considerada o primeiro romance da literatura afro-brasileira e que narra a condição do negro no Brasil de 1859, data de seu lançamento, com um discurso anti-escravista por toda sua obra. Apesar de sua importância, essa é uma obra que ficou esquecida no imaginário brasileiro por muito tempo, comprovando o alto grau de discriminação que o negro sofreu e ainda sofre.
Assim, a continuidade desse preconceito acaba por ditar consequências na sociedade. Há segregação social de milhões de pessoas, que acabam por viver em condições precárias muitas vezes, sem bons empregos e sem uma moradia adequada. Além disso, os negros são a maioria da população que está presa nos sistemas carcerários, muitas vezes sem um julgamento anterior, mesmo esse sendo um direito de todos os cidadãos. Apesar de cruéis, essas são apenas algumas consequências entre tantas que os negros vivenciam todos os dias.
É necessário, portanto, que o negro sejam incluído na sociedade. Para isso, é preciso que o Governo Federal oficialize uma porcentagem de negros necessários por empresas, com direito à multa para quem descumprir esse requerimento. Isso deve ser feito por meio da criação de uma lei para sua efetiva oficialização, a fim de disponibilizar, assim, uma maior oferta de emprego para essa população. Desse modo, esse será apenas um começo de uma reparação histórica tão necessária.