A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 30/01/2020
Conforme o artigo 3º da constituição de 1988, um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Entretanto, esse artigo não é posto em prática, uma vez que, na sociedade, existe aversão àqueles que apresentam a tonalidade de pele mais escura, o racismo. Diante disso, deve-se analisar como a herança histórico-cultural e a falta de representatividade provocam tal problemática no país.
Primeiramente, a herança histórico-cultural é a principal responsável pelo racismo no Brasil. Isso decorre do período colonial brasileiro, em que o negro africano passou por mais de 300 anos de escravidão. Somado a isso, uma abolição da escravidão, feita de maneira irresponsável, não se preocupou em inserir os escravos libertos na educação e no mercado de trabalho, gerando a marginalização vigente. A sociedade, então, por incorporar as estruturas sociais de sua época, conforme Pierre Bourdieu, naturalizou esse padrão e o reproduziu ao longo das gerações. Hoje é comum, lamentavelmente, que um jovem não seja contratado para um trabalho unicamente por ser negro. Consequentemente, conforme mostra o IBGE, que aproximadamente 50% da população negra se encontra na informalidade.
Outrossim, a falta de representatividade de pessoas negras também influenciam na temática em questão. Isso acontece porque, apesar do Brasil ter avançado muito na questão da inclusão através da lei de cotas, o negro não se vê representado em várias instituições brasileiras, majoritariamente com cargos ocupados por pessoas brancas. Prova disso é que, apesar da população brasileira apresentar 54% de pretos e pardos, somente 18% dos parlamentares brasileiros, segundo o jornal O globo, são negros. Por consequência de tal fato, projetos de lei com o intuito de aumentar a punição dos agressores do crime de racismo não são frequentemente apresentados nas instituições legislativas do Brasil.
Torna-se evidente, portanto, que a herança histórico-cultural e a falta de representatividade provocam o racismo no Brasil. Sendo assim, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve promover projetos pedagógicos, como debates e palestras, que promovam o respeito às diferenças e ajudem desconstruir o preconceito. Ademais, o Congresso Nacional deve votar e aprovar um projeto de lei que, através de uma cota racial, aumente o número deputados negros e, com o poder judiciário, fortalecer as delegacias especializadas em racismo. Assim, o racismo poderá deixar de existir e a República brasileira terá, finalmente, um de seus objetivos fundamentais cumpridos.