A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 31/01/2020
Na série televisiva “Anne With an e”, Sebastian, amigo de Gilbert Blite, é tratado com desdém por um homem caucasiano que se julga superior etnicamente, embora, na série, a escravidão tenha acabado há 50 anos atrás. Não distante da ficção, está a sociedade brasileira, que ainda, como na série, tem traços da persistência do racismo na contemporaneidade. Dessa maneira, é necessária a reflexão sobre tais impasses: os erros do passado que afetam hoje e o fortalecimento de grupos opressores.
De acordo com os dados do IBGE, em 2014, 76% dos mais pobres no Brasil são negros. Isso porque houve o mau planejamento da libertação dos escravos, em 1889, com nenhuma política de ressocialização deles, e por consequência, ficaram à margem da sociedade e foram tratados com descaso até os dias de hoje. Nessa lógica, é notório que a população brasileira, com mais de 300 anos de escravidão e pouco menos de 150 anos de abolição, ainda tem ideais - subconscientes - de preconceito étnico, como em frases: “a coisa está preta” (a situação está ruim). Nesse sentido, tal estado social vai de encontro com o pensamento de Aristóteles o qual diz que " o princípio da sociedade é a justiça".
Vale ressaltar também a presença de grupos neonazistas que divulgam, cada vez mais, o seu ódio racial. Na série " Grey’s Anatomy", por exemplo, há um episódio que um paciente com uma tatuagem nazista em sua barriga, recusa-se a ser atendido pela Dra. Bailey e Dr. Webber, que são negros. Paralelamente à realidade, estão esses grupos de ideais nazistas difundindo-se em alguns países europeus com um de seus principais objetivos: a segregação racial. Infelizmente, eles estão ganhando mais espaço e, como resultado, fincam a permanência do racismo na sociedade brasileira. Assim, é preciso combatê-los, e seguir os valores de Martin Luther King que diz nunca estar satisfeito até que o preconceito étnico desapareça da América.
É necessário, portanto, medidas que atenuem a força do racismo hoje no Brasil. Logo, o Ministério da Cidadania, junto ao Ministério da Educação e Cultura, devem enaltecer a cultura afro-brasileira dentro das escolas públicas. Para isso, deverão ser impostas aulas de capoeira, culinária e músicas afrodescendentes desde o ensino fundamental, com professores devidamente qualificados, para que os jovens conheçam e desfrutem de tal cultura que é importante para a nação. Somente assim, será possível “tirar as raízes” do racismo atualmente, e pessoas como Sebastian possam andar tranquilamente nas ruas.