A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 21/01/2020
Mundo novo, velhas ignorâncias
A construção do racismo está ligada à instauração da escravidão nos séculos XVI e XVII, durante o período da colonização, nos quais houve a necessidade de diferenciação de raça para, assim, justificar o terrível Estado escravagista, o qual precisava deste modelo econômico para mão-de-obra nos latifúndios da época e, portanto, gerar riqueza para os europeus. Quase meio século após esse período e, no Brasil, mais de 130 anos da abolição da escravatura, o preconceito está enraizado na sociedade brasileira. Desse modo, é preciso que haja a promulgação de uma campanha nacional contra o racismo e a intensificação das políticas de cotas para negros ou pardos, principalmente, em empresas privadas com o objetivo de se atingir uma sociedade mais homogênea.
A princípio, deve-se considerar que apesar dos negros e pardos serem a maioria da população brasileira, menos de 20% dos congressistas pertencem a essas etnias. Além disso, segundo o IBGE, apenas em 2019, após a política de cotas raciais ser implementada pelo governo, estes superaram em número os alunos que se declaram brancos nas universidades públicas. Soma-se a isso o fato de que na população negra ou parda, segundo o mesmo instituto, há maior taxa de analfabetismo, de abandono das escolas, de mortes causadas pela violência urbana quando comparada à população branca. Nesse sentido, fica comprovada a afirmação da ONU, em 2014, de que há um racismo institucional no país.
Além disso, deve-se olhar para a remuneração e para as oportunidades dadas para ambas etnias no mercado de trabalho. Os brancos ganham, em média, 70% a mais de salário e ocupam mais de dois terços das vagas gerenciais, se comparados aos negros e pardos, segundo o IBGE (2019). Concluí-se, então, que há uma preferência racial enraizada na sociedade a qual acompanha a visão eurocentrista, claramente, presente em nossa história.
Portanto, o Ministério da Educação deve promover uma campanha nas escolas, faculdades e empresas, de modo que envolta toda a sociedade, por meio de palestras, trabalhos artísticos de valorização da cultura afrodescendente, teatro, mídias sociais para que esse preconceito institucional possa ser mitigado, o que promoverá uma real igualdade entre os indivíduos. Outrossim, é preciso que o poder Legislativo crie leis que aumentem a participação percentual dessas etnias marginalizadas, incluindo cargos de liderança, nas empresas públicas e privadas, pois dessa forma irá diminuir as disparidades socioeconômicas apresentadas no Brasil.