A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 31/01/2020
O romance “O Cortiço” de Aluízio Azevedo, retrata a ideologia do determinismo racial predominante no século XIX, dentro do Brasil. Bertoleza, personagem da trama, não é descrita apenas como vítima do racismo - ela própria considera-se superior aos negros por ser cafuza.Tal juízo de superioridade tão poderoso e enraizado, inclusive entre afro-descendentes, moveu muitos dos grandes acontecimentos passados, como o Neocolonialismo. Infelizmente, ainda no século XXI, essa realidade faz-se presente.
Os povos africanos passaram a habitar as terras brasileiras no processo de colonização no séc.XVI. Desde então, seus descendentes são tratados como seres inferiores. Mesmo com o fim da escravidão, em razão da ausência de medidas de inclusão pós-Lei Áurea, esse povo permaneceu marginalizado e dependente da elite branca. Tornaram-se habitantes de periferias, desenvolveram suas próprias morais baseadas em seu modo de vida precário, o que manteve as divergências acentuadas entre as etnias.
Hodiernamente, os reflexos desses acontecimentos são evidentes: nas favelas e nas prisões, o número de negros é maior que o de brancos. De acordo com dados do Infopen, em 2016, dois terços da população carcerária era negra. No mesmo ano, a quantidade de homicídios de brancos não superou nem a metade de casos de não brancos, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Maior parte das pessoas não compreendem que esses dados são resultados de circunstâncias históricas e acaba por interpretar de forma superficial, tendendo a culpar apenas a cor dos envolvidos.
O racismo, já impregnado nas raízes brasileiras, é então fomentado, gerando ainda mais violência. Mal esse que mata e afasta negros de um futuro digno proporcionado pela educação e pelo trabalho - ainda em 2016, o IBGE registrou que a cada dez jovens afro-descendentes, quatro não terminam o ensino médio, o instituto apontou a violência como principal fator. Essa realidade tende a perpetuar com as dificuldades de acesso, resultantes de um passado desfavorável, dessa parcela da população ao mercado de trabalho e instituições de ensino, assim como a predominância branca nesses mesmos locais e pelos ideais racistas dominantes na moral brasileira que proporcionam a hostilidade.
Portanto, faz-se importante que o Ministério da Educação exponha esse débito histórico com a sociedade negra em palestras e materiais dentro de instituições de ensino, para que haja compreensão e reduza o ideal racista entre crianças e jovens. Ademais, cotas não somente em universidades, mas em empresas que devem ter como funcionários ao menos uma porcentagem de negros, definida por Lei e de ordem do Ministério do Trabalho, para incluí-los no mercado mais efetivamente. A garantia de que as necessidades de saúde, educação e segurança nas periferias pelo Estado é um passo para que dessa vez seja abolida, não somente uma condição injusta como a escravidão, mas também o racismo.