A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 01/02/2020

São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a questão da persistência do racismo na sociedade brasileira contraria a opinião do filósofo, uma vez que, no Brasil, pessoas negras são vítimas de discriminação constante. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da manutenção dos estereótipos de inferioridade do negro na sociedade, bem como, a ausência de meios para denúncias instantâneas com rápidas punições aos atos discriminatórios.

A priori, é importante destacar que, em função da carga histórica e cultural de que os negros estão às margens da sociedade, desde a escravidão, gera por consequência o racismo em diferentes meios: no econômico, com inferioridade no mercado de trabalho, no social, ocupando majoritariamente áreas favelizadas e no cultural, com grande discriminação. Nesse sentido, o sociólogo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que o problema do estereótipo inferiorizado dos negros seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. Assim, trazer à pauta esse tema e discuti-lo amplamente, aumentaria a chance de atuação nele, além de dar visibilidade à persistência do racismo no país, questão ainda muito silenciada.

Por conseguinte, outra dificuldade encontrada nesse impasse é o quesito da insuficiência executiva para garantir que as medidas legislativas sejam tomadas de maneira rápida e efetiva, garantindo a integridade de qualquer cidadão em um entrave racista. O filósofo John Locke defende que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. No entanto, na temática do combate factual às ações de racismo em diferentes contextos do dia-a-dia, apenas a legislação não tem sido suficiente para a resolução do problema.

Impende, portanto, medidas estratégicas para alterar esse cenário de persistência do preconceito racial. Para isso, é preciso que as universidades e escolas, em parceria com as prefeituras, promovam rodas de conversas e debates, no ambiente educacional, sobre como dirimir e mitigar o racismo na sociedade Verde Amarela. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam tais questões e se tornem cidadãos livres de preconceitos e atuantes na busca de resoluções.