A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 30/01/2020
Por volta de 1539, os primeiros negros desembarcaram no Brasil. Milhões de escravos foram trazidos à força e obrigados a trabalharem para os brancos. Até que em 1888, mais de 300 anos depois, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea que decretava o fim da escravidão. Mas, infelizmente, esses séculos de sofrimento não são apagados facilmente. O preconceito com religiões de matrizes africanas e a desigualdade racial são algumas marcas da persistência do racismo na sociedade brasileira que precisam, urgentemente, mudar.
Em primeiro lugar, é válido reconhecer que desde o Brasil colônia existe esse tipo de intolerância religiosa pelo simples fato de serem de origem africana. Toda religião diferente do cristianismo que predominava na Europa, era vista como errada e “demonizada” pelos colonizadores. Assim, essa visão preconceituosa foi passando de geração para geração e é visível até os dias atuais. Isso se torna mais claro com o crescente número de ataques a terreiros de umbanda e candomblé que tem vindo, na maioria dos casos, de evangélicos neopentecostais. Logo, a disseminação de uma cultura de ódio contra a sociedade africana ainda está presente na atualidade.
Em segundo lugar, vale ressaltar a constante desigualdade racial na sociedade brasileira. Na década de 1870, surgiu uma corrente de pensadores acerca do Darwinismo Social, que baseada nas teorias evolucionistas de Darwin, acreditava que algumas sociedades eram dotadas de valores superiores às demais. Assim, os europeus consideravam que eram melhores do que os africanos e que por isso o continente Africano era pobre e subdesenvolvido. É nítido que essa teoria teve como base uma visão extremamente preconceituosa, mas ainda é usada por muitas pessoas para explicarem as desigualdades raciais. Cerca de 80% dos mais pobres brasileiros são negros e apenas 17% estão entre os mais ricos. Assim, claramente as marcas da escravidão continuam vivas no Brasil.
Portanto, são necessárias medidas para amenizar a problemática. O Ministério Público Federal deve fiscalizar as leis já existentes por meio de parcerias com a Polícia Federal, tornando mais rígidas leis sobre intolerância religiosa e deve existir uma maior proteção a terreiros, disponibilizando policiais civis em locais onde acontecem cultos de religiões africanas. Também devem existir programas sociais criados pelas prefeituras de cada município para dar oportunidades de acesso à educação e trabalho a população pobre. Feito isso, os séculos de dor e sofrimento ficarão no passado e a sociedade brasileira poderá vencer o racismo e viver em harmonia.