A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 31/01/2020
Em 1940, nos EUA, foi feita uma experiência com crianças entre 6 e 7 anos perante bonecas iguais, mas de cores diferentes e perguntou-se qual preferiam. A maioria das crianças preferiu a boneca branca. Embora a experiência tenha sido feita há 80 anos, ela tem sido repetida até hoje em todas as partes do mundo, com resultados similares, o que mostra a persistência do racismo em toda a sociedade, inclusive a brasileira. De fato, o racismo pode ser percebido nas relações étnico-raciais em espaços de educação infantil no Brasil, bem como a situação de desigualdade escolar de crianças negras retidas no primeiro ano do ensino fundamental I.
Primeiramente, é importante citar que no espaço escolar ocorrem, de modo silencioso, situações que podem influenciar negativamente as crianças, ensinando-as que há diferentes tratamentos para pessoas brancas e negras. Com efeito, recentemente foi realizada uma pesquisa em uma creche do município de São Carlos-SP, que atende crianças até três anos, onde procurou-se verificar as maneiras pelas quais o racismo é produzido e revelado. Segundo a pesquisa, o racismo estava presente na cheche principalmente em situações ligadas à forma de cumprimentar as crianças no momento de chegada à creche, ou seja, a falta de um contato físico e elogios ao bom comportamento, em relação às crianças negras.
Em segundo lugar, a pesquisa realizada pelo educador Civeletti (2004) sugere que crianças brancas e negras são atendidas de forma diferente quando ingressam no primeiro ano do ensino fundamental I, uma vez que os índices de defasagem idade-série são maiores para as últimas. Adicionalmente, os resultados revelaram que há um número significativo de crianças pobres e negras retidas no primeiro ano, notadamente nas regiões Norte e Nordeste. Os resultados apontaram ainda que um número maior de crianças negras entre cinco e nove anos estava fora da escola. Além disso, a maioria das crianças negras frequentava espaços de educação infantil de pior qualidade.
Portanto, cabe ao governo federal, em parceria com o Ministério da Educação e a organização das nações unidas contra o racismo, num debate amplo e profundo, apresentar medidas necessárias para tentar erradicar o racismo no Brasil. Deve ainda fornecer, através de propagandas, informações sobre as consequências do racismo desde a mais tenra idade. É necessário ainda, que o Ministério da Educação introduza tópicos fundamentais para a formação de professores relacionados à discriminação étnico-racial na educação infantil, de modo a inserir o estudo nas reuniões pedagógicas dos professores realizadas no final de cada ano letivo. Desse modo, será promovida uma gradual desconstrução da imagem estereotipada associada à população negra.