A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 25/01/2020
A Constituição Federal, promulgada em 1988, pela Assembleia Constituinte, prevê um rol de direitos e garantias fundamentais para que a cidadania seja atingida em sua plenitude. Nesta seara, a Carta Magna sustenta que a isonomia é um princípio basilar para o exercício de diretos do cidadão brasileiro e que deve haver igualdade de tratamento independente de cor, raça ou etnia. Não obstante, mesmo passados mais de trinta anos de sua publicação, o previsto no texto constitucional não é uma realidade vivida no país, especialmente, para negros, pardos e índios. Nesse sentido, é evidente que a persistência do racismo na sociedade brasileira é uma problemática atual e presente desde o período colonial.
Nesse contexto, percebe-se que a discriminação racial não é uma problemática presente apenas no Brasil. Consoante a historiografia do tema, podemos citar os exemplos de Rosa Parks e Nelson Mandela, nos EUA e na África do Sul, respectivamente, como expoentes emblemáticos do racismo sofrido por negros no mundo contemporâneo. Outrossim, é indubitável que o problema está relacionado a questões históricas como a colonização européia e a escravidão, que marginalizou negros durante e após sua abolição, excluindo-os socialmente e privando-os do acesso à cultura, educação e trabalho durante do século XX - e ainda hoje.
Outro aspecto de suma relevância, é a ineficiência do Poder Público em promover mecanismos que combatam, de forma contundente, o racismo no país. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2013, mais da metade da população brasileira é negra ou parda. Entretanto, é nítido que nas universidades, nos altos cargos executivos das empresas e até mesmo na política esses números não são condizentes com a maioria branca que domina atualmente esses postos. Nesse prisma, é evidente que as minorias são afastadas dessas oportunidades devido à estigmas sociais e a uma educação pública precária, que faz com que a condição socioeconômica desses grupos seja perpetuada na sociedade e impeça a ascensão social e a disputa em par de igualdade de condições com a elite dominante.
Conclui-se, portanto, diante do exposto que o racismo está presente no mundo todo há séculos. Diante dessa situação, torna-se nevrálgico que o Poder Público crie iniciativas estratégicas a fim de promover a inclusão das minorias na sociedade por meio de investimentos em programas sociais e educacionais, com palestras, programas de inclusão social e debates temáticos com a sociedade civil. Desta forma, espera-se que a problemática seja atenuada e, num futuro próximo, seja extinta da sociedade brasileira.