A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 29/01/2020
O livro “Minha Vida de Menina” relata as experiências de Helena Morley durante a sua infância em Diamantina no século XIX. Neste diário, um fragmento evidencia a comemoração de pretos pela abolição da escravidão no Brasil. Entretanto, tal alegria logo acabou ao perceberem que continuariam sendo explorados devido a conjuntura social e econômica do período. Atualmente, há mais de um século da abolição,este grupo ainda é oprimido na sociedade brasileira pela marginalização e baixa mobilidade social, sendo formas persistentes de racismo. Em primeiro lugar,é perceptível a exclusão de negros nos centros urbanos e a ocupação de favelas e periferias por grande parte destes. Tal exemplo de marginalização espacial está enraizada nos séculos de escravidão e na forma opressora em que se deu a abolição - sem garantia de oportunidades e deixando os ex escravos à mercê da exploração capitalista. Com isso, houve a instalação destes grupos nas margens de cidades, sem segurança e com estruturas precárias, sendo assim um reflexo da persistência do racismo na sociedade brasileira. Além da marginalização no espaço geográfico, há também este fenômeno no mercado de trabalho, em que há a tendência de exclusão de negros aos trabalhos bem remunerados de maior ascensão social. Trata-se de um ciclo opressor em que a falta de acesso a educação de qualidade por este grupo impermite ou torna quase impossível a mobilidade social, além dos negros serem vítimas de preconceito no mundo corporativo. Por conta disso, são poucos os que conseguem entrar em faculdades e ascenderem, representando assim, uma injustiça social derivada da persistência do racismo no Brasil. Destarte, assim como evidencia o livro de Helena Morley, a abolição da escravidão não acabou com a exploração e o racismo, sendo estes problemas que persistem na sociedade brasileira. Para o combate desta conjuntura injusta, é necessário que o MEC construa escolas de qualidade em comunidades carentes - visando atender essa população - por meio de investimentos públicos, para a garantia de oportunidades a esses grupos. Desta forma, caminharemos para um Brasil mais justo às minorias.