A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 27/01/2020

De acordo com o artigo 3, da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir o desenvolvimento da nação, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo ou cor. No entanto, com a persistência do racismo na sociedade brasileira, esse direito é confrontado e fragilizado, trazendo grande desarmonia para o tecido social. Nesse sentido, tal imbróglio ocorre devido à cultura de sentimento de superioridade branca e ao inócuo sistema judicial. À vista disso, subterfúgios devem ser encontrados, a fim de que uma sociedade mais integrada seja alcançada.

Em primeira instância, a sensação de superioridade branca foi eternizada na sociedade, impedindo o ressarcimento e respeito pela população negra. Historicamente, com a adoção da política de branqueamento racial entre os séculos XIX e XX no Brasil, que tinha como objetivo a ‘‘solução’’ para o excesso de negros, através do incentivo à migração de etnias europeias para a nação brasileira, auxiliou para a eternização do racismo no país. Nesse contexto, essa ideologia racista se perpetuou até os dias atuais, o que impede a integração social do negro e a realização dos seus direitos. Desse modo, enquanto essa situação for a realidade, a população negra nunca terá dignidade.

Outrossim, o atual sistema judicial no que tange à punição dos crimes relacionados ao racismo é, na maioria das vezes, ineficiente. Nesse viés, Cícero, filósofo do Roma antiga, afirmou, certa vez, que o maior estímulo para cometer faltas é a esperança de impunidade. Tendo isso em vista, a ideia proposta pelo pensador transfigura, com veemência, o comportamento racista da população, pois muitos crimes raciais denunciados são postergados, ou até ignorados. Sob essa lógica, seja em uma vaga de emprego, ou uma simples caminhada nas ruas, os negros vivem sob olhares desconfiados, negligentes e preconceituosos. Dessa maneira, enquanto esse problema judicial for a regra, o respeito nunca será a exceção. Nessa perspectiva, portanto, é mister que o Estado tome providências para obliterar a persistência do racismo na sociedade brasileira. Para isso, é fulcral que o Governo Federal, na figura das instâncias judiciárias, como poder máximo administrativo judicial do país, melhore e aplique, com eficiência,  as leis que atendem à efetuação da leis e direitos em relação aos negros, por meio de fiscalizações de casos de crimes raciais, através de delegacias especializadas, com o intuito de eliminar o sentimento de impunidade no país. Ademais, o Estado, junto às escolas, deve acabar com a cultura de superioridade racial, por intermédio de aulas de sociologia e historia que irão trazer e ensinar a história e a importância dos negros na construção do território cultural brasileiro, a fim de desmistificar essa ideologia segregacionista e discriminatória na sociedade. Feito isso, garantir-se-á que o racismo desapareça da sociedade, consolidando o artigo 3 da Constituição Federal.