A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 27/01/2020
Gilberto Freyre em sua obra “Casa Grande e Senzala” demonstra, de maneira figurativa, a importância de ambos elementos na formação sócio-cultural do Brasil, possivelmente fazendo justiça ao colocar em igual relevância a Casa Grande e a Senzala. Contudo, apesar do célebre livro de Gilberto Freyre, a persistência do racismo na sociedade brasileira é ainda preocupante e necessita intervenção. A manutenção dessa intolerância tem suas raízes em elementos histórico-culturais, assim como, na falta de justiça em casos de racismo.
Em “Clara dos Anjos” de Lima Barreto, a personagem principal, Clara, uma jovem negra, que no fim da trama está grávida e será mãe solteira, conclui a trama, de maneira muito triste, dizendo: “nós, (negros) não somos nada”. Essa obra é de 1922, ou seja, quase 100 anos se passaram mas o retrato que se tem do negro no Brasil não parece ter mudado, vide os casos diários de abusos policiais, e de outras autoridades governamentais, contra a população negra no Brasil, como o ocorrido com um músico negro, assassinado no Rio de Janeiro pelo exército, tendo o carro de sua família alvejado por 80 tiros. No período colonial, quando um negro era capturado e trazido de navio para o Brasil, havia um processo de “desumanização do negro” buscando retirar qualquer traço de humanidade, com o objetivo de torná-lo uma máquina sem valorizar os seus sentimentos, vontades, sonhos e desejos o que inerente a todo ser humano, tal “desumanização” diminuiu a empatia dos não negros em relação aos negros, dificultando o diálogo e a compreensão, servindo assim de manutenção para a intolerância racial
Outrossim, o Art. 3, IV, da Constituição Federal de 1988, afirma que um dos objetivos da nova república é construir uma sociedade que, entre outras coisas, não tenha descriminação de raça, sem embargo, é indubitável a dificuldade do Estado em combater o preconceito racial, por mais que a prática de racismo seja constitucionalmente inafiançável a pena aos que cometem esse tipo de crime é extremamente branda, dificilmente acarretando em pena privativa de liberdade, fazendo com que a impunidade sirva, também, de motivação para a persistência do racismo no Brasil.
Após tudo supracitado, vê-se que é mister a busca por uma intervenção contra a permanência do racismo no Brasil. Primeiramente, é necessário que os grandes canais tradicionais midiáticos, junto da internet, façam campanhas de conscientização negra e incentivem a denúncia contra tais práticas. Segundamente, é preciso sancionar uma lei que puna os casos mais graves de racismo com uma pena de privativa de liberdade que deve ser cumprida em regime fechado, garantindo que no Brasil a prática de tal conduta seja fortemente contra-atacada juridicamente. Resolvendo, ou atenuando, esse impasse de maneira justa e democrática.