A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 01/02/2020
Após pouco mais de cento e trinta anos da abolição da escravidão no Brasil, o racismo ainda presente em nossa sociedade, e geralmente velado, é evidenciado de várias maneiras e persiste por diversos motivos. Há, por exemplo, a responsabilização do “outro” em detrimento da responsabilização do “eu” e a manifestação inconsciente de racismo.
A responsabilização do outro é muito recorrente e há pesquisas que indicam sua existência, como a realizada na Universidade de São Paulo em 1988, em que 97% dos entrevistas disseram não ter preconceito e 98% dos mesmos entrevistados afirmaram conhecer pessoas preconceituosas. Estes entrevistados informaram que os racistas eram amigos, parentes, namorados, frequentemente alguém com quem tinham um relacionamento próximo. Logo, a atitude racista vem do outro, não de si.
A manifestação inconsciente do racismo, por sua vez, pode ser vista no uso de expressões e frases preconceituosas, com as quais as pessoas concordam sem hesitação. “Lista negra” e “mercado negro”, por exemplo, são expressões que atribuem um sentido pejorativo ao termo “negro”, indicando algo proibido, ilegal, até perigoso. Nesse mesmo contexto, há a constante associação das religiões de matrizes africanas com algo negativo e intrinsecamente mau devido ao que o senso comum propaga - principalmente em virtude do costume e da desinformação. A citada associação sempre foi usual e permanece muito enraizada na sociedade brasileira.
O racismo persistente no Brasil, portanto, é um fato que precisa ser diariamente trabalhado, individual e coletivamente, até sua erradicação. Para tal, é necessário que haja a conscientização de cada atitude que tomamos, pois, dessa forma, podemos modificar, por meio da autocrítica, as práticas racistas já habituais.