A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 28/01/2020

Ao longo de quatro séculos,a escravidão - principal força de trabalho do período colonial - -protagonizou a exploração,o esfacelamento de sujeitos e a desconstrução ética de uma população. A contemporaneidade,submersa em plena era de euforia tecnológica,contudo,não foi capaz de superar esse legado,que se materializa no racismo no tempo presente.Com efeito,o persistente quadro de preconceito racial representa o retrocesso da sociedade brasileira como um todo, e apresenta-se como subproduto da formação histórica da nação e da ineficácia das leis.

Em uma primeira análise,é indubitavelmente clara a relação entre o racismo moderno e a construção cultural do Brasil,caracterizada por um longo período escravocrata.Essa afirmativa pode ser compreendida a partir da tendência humana de reproduzir culturas “normalizadas” no decorrer da História,sem,muitas vezes,questionar-se o fato reproduzido,como ocorre na disseminação da suposta inferioridade do povo negro.Nesse sentido,Caio Prado Junior,importante pilar da historiografia nacional,em seu artigo “O Sentido da Colonização”,busca comprovar que o desenvolvimento histórico do país moldou-se a partir de intensas redes de opressão de minorias,práxis cultural acentuadamente reproduzida no cotidiano.Em vista disso,a dignidade de cidadãos é desconstruída,e o passado ciclicamente se espraia na atualidade produzindo o silenciamento e o medo.

Ademais,em um segundo plano,a persistência do racismo está intimamente ligada à ineficiente aplicação das leis,uma vez que há precária consciência dos direitos e deveres de cada cidadão.Isso porque enquanto a penalização desse crime não é uma realidade empírica para todos,os intolerantes raciais continuam a reprimir suas vítimas,e essas permanecem caladas sem o conhecimento de seus direitos.Nessa perspectiva,Simon Schwartzman,em “Bases para o Autoritarismo Brasileiro”,reflete que os interesses do Estado normalmente existem para satisfazer as demandas dos grandes grupos de poder,e não para suprir as necessidades das minorias sociais como os negros.Desse modo,nota-se que a falta de uma efetiva aplicação legislativa perpetua o ciclo de injúria racial no território brasileiro.

Portanto,a construção histórica do Brasil,em paralelo à ineficiência das leis,fomentam a permanência do inadmissível panorama de racismo no país.Assim,cabe ao Poder Executivo Federal,sob forma do Ministério da Educação,expandir a consciência dos indivíduos sobre a pluralidade racial brasileira,por meio da instauração de disciplinas nas grades curriculares de todas as escolas públicas e particulares,as quais proponham debates e dinâmicas de grupo que incentivem a discussão da temática, a fim de reverter o cenário racista desde a infância. Somente a partir disso e da efetiva aplicação do Código Penal,um futuro de tolerância e equidade será vislumbrado pelos brasileiros.