A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 29/01/2020

Correntes de cor.

Com seis indicações ao Emmy, a minissérie “Roots” trata de forma visceral o processo da escravidão nos EUA, através da história da luta pela liberdade de Kunta Kinte, um jovem africano trazido da Gâmbia à América. Assim como a sugestividade do próprio título, a superprodução mostra as “Raízes” históricas do racismo e a forma como o mesmo, perpetua-se por entre gerações e pelo mundo.

Discutir descriminação racial no Brasil é sempre um assunto controverso. Começando pelo fato de aproximadamente 54% da população ser representada por negros, segundo IBGE de 2015, e os índices de casos racistas permanecerem elevados. É como se a mistura de raças, culturas, e crenças que marcam a  formação o povo brasileiro não fossem relevantes. Como se ao invés de contribuir para uma sociedade acolhedora, a tornasse mais intolerante e segregadora.

Além das dificuldades caudadas pela desigualdade, como a entrada no mercado de trabalho, diferenças salariais e humilhações, há também injustiças por parte das instituições governamentais, que é exatamente o que a serie “Olhos que Condenam” trata. Baseado em fatos reais, o longa aborda o racismo de forma institucionalizada na sociedade, pelo fato de cinco jovens negros acabarem sendo condenados pelo estupro de uma mulher branca apenas pela opinião pública. Casos como estes são comuns e negligenciados, atestando uma certa seletividade penal.  Por tanto, não só o Brasil, mas o mundo, vive e pratica um racismo velado.

Logo, também tem-se a participação midiática, que muitas vezes transmitem ideias equivocadas, e tão pouco respeitadas acerca dos costumes da cultura Afro. Um exemplo disso, são os rituais religiosos mal interpretados, que muitas vezes, ou viram motivo de piada ou são tão ignorantemente temidos a ponto de serem censurados em alguns locais. Fora as manifestações de ódio e intolerância através das redes sociais, como os milhões de ataques racistas à Titi, filha do ator Bruno Gagliasso e a atriz e “youtuber” Giovanna Ewbank pela adoção.

Por tanto, tendo em vista os aspectos observados, ações junto ao (MEC) na criação de projetos educativos sobre respeito, diversidade e tolerância, ajudariam na formação de cidadãos mais éticos e humanizados. Uma maior fiscalização por parte dos Órgãos Administradores e jurídicos sobre as leis e autoridades, bem como na utilização de redes sociais, ajudariam a combater a persistência do racismo, e por fim superar os quatrocentos terríveis anos de escravidão no território brasileiro. “Eles podem acorrentar seu corpo, mas nunca deixem que acorrentem sua mente”-Kunta Kinte.