A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 30/01/2020

Em 1930 chegou ao Brasil o primeiro navio negreiro da história. A partir desse momento, deu-se início a um longo período de objetificação, comercialização e exploração do povo negro. Infelizmente, os mais de trezentos anos que se sucederam de escravatura deixaram marcas profundas na estrutura e conjuntura do país, perpetuando até os dias atuais o racismo na sociedade brasileira.

Conforme apontado por Rita Izsák, relatora especial da ONU sobre questões de minorias, os negros brasileiros correspondem a 70,8% de todos os 16,2 milhões que vivem em extrema pobreza. Ainda nesse cenário de precariedade, o Jornal Folha de S.Paulo em 2018 informou que 74,5% das mortes violentas no país ocorrem com homens negros.

Embora atuais, esses dados são herança de nossa história. Tendo como exemplo o período que se seguiu após a abolição da escravatura, em que a população negra foi excluída e marginalizada, sem nenhum aparato de políticas públicas que efetivamente os integrassem na sociedade, dando moradia, emprego, saúde e educação e dignidade para viver.

Diante desse complexo retrato de desigualdade, se faz necessário que medidas definitivas sejam aplicadas. Podendo elas começarem por intermédio do governo, com o enrijecimento de leis referentes a crimes de racismo e discriminação, inserindo cotas nos mais diversos âmbitos acadêmicos como forma de integração social e até mesmo de reparação histórica. Cabe às escolas e universidades conscientizar sobre equidade, sobre a importância dos povos oriundos do continente africano, bem como naturalizar sua cultura e religião. Nesse processo, é essencial que as mídias atuem como agente modificador, dando à população negra representatividade e respeito. É importante também salientar o papel da família, que tem como dever a formação cidadã responsável e livre de preconceitos.