A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 29/01/2020
O século XVIII ficou conhecido como período das Luzes. Neste contexto, a ideia predominante assegurava que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Hodiernamente, ao analisar a persistência do racismo na sociedade brasileira, verifica-se a aplicação desse ideal iluminista somente na teoria e não desejavelmente na prática; e tal problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Assim, cabe o estudo acerca das causas e possíveis soluções para essa adversidade.
A priori, é mister destacar a parcimônia de estratégias estatais. A esse respeito, Zygmunt Buaman, sociólogo polonês, desenvolveu o conceito de “instituição zumbi”, segundo o qual algumas instituições perderam suas principais funções, no caso do Estado: garantir igualdade ao corpo social. Sob tal ótica, é inegável que essa obrigação cabível ao Governo é aplicada de maneira negligente, visto que a prática de segregação racial só obteve aumento, essa afirmação é consolidada por uma pesquisa elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na qual, por exemplo, consta um número de 5,7% de desempregados na população negra em relação à população branca. Logo, vê-se o relapso governamental como fator contribuinte para esse revés.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a raiz de um problema histórico. No tocante a essa dificuldade, vale citar a tese do escritor Augusto Cury, ele afirma que a construção de um preconceito leva horas para ser construída, no entanto, para desconstruí-la, pode-se levar séculos. Nessa conjuntura, é indubitável a confirmação da teoria supracitada, haja vista que a população negra do Brasil, sofre desde sua vinda no período colonia, a mesma veio com a função de exercer o papel de escravo e tornou-se mártir da sociedade. Deste modo, nota-se a veracidade do pensamento de Cury e essa parcela de indivíduos é vítima de um sistema exclusivo.
É evidente, portanto, que há obstáculos a serem superados para a aplicação do modelo iluminista no Brasil. Destarte, o Estado, juntamente com o Ministério da Cidadania, órgão superior responsável por esse âmbito social, têm de ter como premissa o combate a essa prática de segregação racial, por meio da criação de mais cursos profissionalizantes gratuitos, bem como, palestras em escolas e debates presenciais em unidades de ensino. Com a finalidade de capacitar a população profissionalmente para a diminuição da taxa de desemprego, como também, mostrar a sociedade que de fato o preconceito existe e deve ser posto um fim. Isto posto, a nação verde amarela evoluirá indo ao encontro da filosofia iluminista.