A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 30/01/2020

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita que “No meio do caminho tinha uma pedra”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento de um bem estar social. Nesse sentido, a poesia modernista pode ser aplicada à atual sociedade, haja vista que a manutenção do racismo na nação brasileira configura-se como um obstáculo no caminho do cidadão. Diante disso, evidencia-se que o ambiente familiar preconceituoso, bem como a carência de políticas públicas estão entre os principais fatores que impedem o clímax entre os cidadãos.

Nesse contexto, vale destacar que o “pai da sociologia”, Émile Durkheim, durante seus estudos, criou o conceito de consciência coletiva. À vista de tal preceito, o homem torna-se um produto do meio em que vive. Paralelo a esse pensamento, cabe ressaltar a força influenciadora, gerada no convívio familiar deficiente, que age diretamente sobre os filhos, capacitando-os para adotarem práticas errôneas de discriminação no meio social. Nessa lógica, é verossímil que essas crianças apresentam-se como um “produto do meio”, uma vez que a consciência coletiva ao seu redor limita e determina a mentalidade individual dos menores quando adultos.

De maneira análoga, cabe ressaltar que sob a ótica do âmago da questão, Zygmund Bauman, na obra “Sujeito Líquido” apresenta a definição de “instituições zumbis”, o qual sugere que alguma entidades agem de modo análogo a mortos-vivos. Desse modo, elas mantêm suas formas, mas sem exercerem suas respectivas funções sociais. Sendo assim, convém observar a ineficiência do governo, posto que a falha na administração resulta na falta de projetos de inclusão racial, causando reflexos como a marginalização do negro mediante o corpo social. Nessa perspectiva, é aparente que o Estado apresenta-se como uma “instituição zumbi”, visto que, apesar de sua existência, não cumpre sua principal função: garantir direitos iguais a todos os cidadãos.

Torna-se axiomático, portanto, adotar medidas para reverter tal cenário. Logo, cabe às prefeituras municipais a tarefa de promover rodas culturais - em ambientes públicos, a exemplo de praças e estações - para promover a valorização da cultura afro-brasileira. Tal prática, deve vigorar mediante a solicitação de recursos financeiros ao Governa Federal, com vistas a desconstruir ideais infundados que se encontram enraizados no pensamento de grande parcela da população. Dessa forma, com a adoção dessa prática, será possível remover a “pedra” no  caminho dos brasileiros, permitindo-os caminhar em direção ao progresso.