A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 30/01/2020

A construção da sociedade brasileira está completamente pautada no trabalho escravo de negros africanos. Durante séculos esses seres humanos foram arrancados de seu continente, de seus costumes e de sua cultura. Foram desumanizados, objetificados e coisificados para garantir a permanência do poder das elites brancas. Ademais, abolição da escravatura, em 1888, na chamada Lei Áurea, deixou os novos libertos à própria sorte - sem habitação, sem educação e sem o mínimo para se viver. As consequências dessa “libertação” sem uma verdadeira emancipação são gritantes.

Ainda hoje, a população negra é a maioria em favelas e periferias, em serviços de limpezas e empregos de baixa remuneração. Recebidos com estereótipos de bandidos e/ou de serventes, as pessoas negras nascem com o corpo e a mente mercados pelo racismo - racismo esse que, no Brasil, é mascarado pelo mito da democracia racial, ditada por Gilberto Freyre. Segundo Freyre, a sociedade brasileira convive harmoniosamente, independente de sua cor e/ou raça, mas não é o que os dados nos mostram. Uma rápida olhada nos empregos de alta e baixa remuneração, e perceberemos a cor das pessoas que estão presentes em cada um. Mas o que fazer para mudar essa realidade?

A lei 10.639 de 2003, que institui o ensino obrigatório da história e cultura afro-brasileira é um pontapé importante nas medidas contra o racismo, porém não é suficiente por si só, é preciso uma fiscalização para que garanta que a lei está sendo cumprida. Há, ainda, a política de cotas para pessoas negras e pardas para o ensino superior, o que faz com que mais afro-brasileiros tenham acesso a uma formação superior e, assim, ascenda para profissões que possibilitem o cumprimento da lei supracitada. Ou seja, precisamos colocar pessoas negras nos espaços de poder para, assim mudarmos toda uma estrutura que foi ensinada a ser racista. São pequenos passos mas, que colocados em prática, podem mudar, ainda que em passos lentos, a sociedade estruturalmente racista em que vivemos.