A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 31/01/2020
Segundo dados do IBGE de 2016, negros e pardos são maioria da população brasileira. Entretanto, também possuem os maiores índices de analfabetismo e os menores salários. Esse quadro alarmante é herança do período da escravidão, no qual não os eram atribuídos a condição de humanidade. Dessa forma, pardos, e principalmente negros, são a parcela mais afetada pela discriminação no território brasileiro.
Conforme o Prof. Dr. Otair Fernandes, as principais causas formadoras desse retrato excludente são: o longo período de colonização e a inexistência de suporte na pós-abolição aos recém libertos. Assim, o Brasil foi consolidado no que hoje é denominado de racismo institucional. A partir disso, a problemática fica clara; o racismo não é limitado à agressão física e verbal. Ele possui raízes profundas que estão consolidadas e impregnam a atual sociedade residente do Brasil.
Logo, o racismo é dificilmente identificado, pois está presente em atos do cotidiano e, consequentemente, é refletido na forma de pensar. Isso é notório quando policiais causam ferimentos letais a um indivíduo ao confundir um guarda-chuva com uma arma de fogo por conta da etnia do detentor do objeto. Ou então quando pedestres desconfiam da índole do indivíduo por conta da sua cor. Infelizmente, esse tipo de comportamento é reafirmado pela mídia ao utilizar-se erroneamente de esteriótipos em filmes, séries e animações.
Torna-se evidente, portanto, que a população brasileira permanece sofrendo influência de comportamentos de 130 anos atrás e, assim, continua o processo de marginalização daqueles que já foram alvo direto do sistema escravista. De acordo com o Prof. Dr. Otair Fernandes, atos individuais - como a conscientização- não são suficientes. Dessa forma, é imprescindível a presença da Secretaria de Gestão Pública, por meio de adoção de políticas públicas afirmativas que vão valorizar aqueles há tanto excluídos e impedidos de ascender economicamente.