A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 27/04/2020
Recentemente, em 2019, uma situação chocou grande parte da população brasileira: ataques racistas, por meio de redes sociais, tiveram como alvo a jornalista da Rede Gobo, Maria Júlia Coutinho, que se autodeclara negra. Contudo, o cenário não foi novidade para a grande parcela dos cidadãos que enfrentam isso diariamente. Nessa perspectiva, o racismo está presente na sociedade brasileira desde a chegada dos portugueses à terra nova, que, ao se depararem com os habitantes indígenas, classificaram-nos como povos socialmente inferiores aos europeus. Dessa forma, infelizmente, o racismo persiste até os dias de hoje na sociedade, devido, principalmente, à herança histórico-social trazida ao longo da construção da sociedade brasileira e afeta, principalmente, a população negra.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que os fatores históricos têm grande influência na sociedade atual. Nesse contexto, em 1525, com a chegada dos primeiros navios negreiros, houve, também, a chegada dos costumes de diversos povos africanos, bem como a culinária, a religião e a música, que até hoje fazem parte da cultura brasileira. Entretanto, na época, com a hegemonia europeia, demarcada, especialmente, pelo cristianismo, a cultura africana passou a ser perseguida, o que implicou a sua desvalorização no país. A exemplo disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, praticantes de religiões de matriz africana são os que mais sofrem perseguição.
Nessa perspectiva, é importante salientar, também, que a falta de representatividade negra na sociedade contribui para a persistência do racismo. Desde o começo, têm sido impostos na sociedade os padrões de beleza, caracterizados, principalmente, por pele clara, nariz afinado e cabelos lisos, a exemplo da cantora estadunidense, Marilyn Monroe, que foi um ícone de referência de beleza na década de 1960. Dessa forma, com o passar do tempo, essa imagem tornou-se predominante na mídia, com modelos e brinquedos que seguiam esse protótipo. Como prova disso, segundo o projeto “Cadê Nossa Boneca?”, a primeira Barbie negra foi lançada em 2009, 50 anos após suas versões originais.
Em síntese, devido ao seu legado histórico, o racismo, ainda no século XXI, persiste no Brasil e, por isso, deve ser combatido. Logo, cabe às Secretarias de Cultura, por intermédio da criação do projeto “Nossa História”, que inclui amplo acesso a museus e teatros, educar a população a respeito da história do país, a fim de promover a valorização da cultura africana no Brasil e diminuir preconceitos sociais relacionados a ela. Além disso, a mídia e a indústria devem, mediante a maior contratação de atores e modelos e a fabricação de bonecos negros, aumentar a representatividade negra, com o intuito de quebrar padrões de beleza existentes no presente. Assim, com essas medidas, espera-se combater o racismo, que persiste na sociedade brasileira desde a sua formação.