A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 02/03/2020
Em 20 de novembro de 2017, dia da consciência negra, a cantora brasileira Elza Soares lançou o clipe da música “A carne”, que teve a participação especial da Rafaela Silva, judoca negra campeã olímpica e mundial. Apesar de se tratar de uma vergonha para o país, o grito de revolta contra o racismo feito na obra é mais do que válido, visto que, o preconceito racial ainda está vivo no Brasil contemporâneo. Nesse contexto, é lícito afirmar que o pensamento eurocêntrico e a irresponsável abolição da escravidão brasileira contribuem para a perpetuação desse quadro negativo.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em muito, do pensamento da hierarquia de raça, que ganhou força durante a expansão marítima, na Europa. Entretanto, esse julgamento de superioridade dos brancos sobre os negros foi disseminado nos processos de colonização e se tornou uma barbárie mundial. Sob esse prisma, o clipe de Elsa Soares reflete a realidade quando ela diz que “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. Desse modo, é evidente que o racismo está relacionado com o cômico pensamento eurocêntrico.
Outrossim, vale destacar que a maneira como foi feita a abolição da escravatura no Brasil corrobora a perpetuação da problemática. Dito de outro modo, o país foi altamente imprudente quando sancionou a Lei Áurea em 1888, pois não se preocupou em inserir os escravos libertos na educação e no mercado de trabalho. Desse modo, os negros continuaram sofrendo para conseguirem uma vida digna e, consequentemente, resultou um sistema de marginalização presente até hoje. Tal panorama é comprovado por Mano Brown, em sua música, quando disse: “por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor”.
É possível defender, portanto, que impasses relacionados ao racismo contemporâneo constituem desafios a superar. Para tanto, cabe à mídia, com suas ferramentas de alcance e representatividade, por meio de reportagens na TV aberta, reproduzir o sucesso da população negra, como o de Rafaela Silva, para demonstrar que todos devem lutar por seus sonhos. Ademais, as escolas devem, enquanto instituição social, inserir a discussão sobre esse tema, por intermédio de palestrantes, que debatam acerca do racismo, com o objetivo de desenvolver, desde a infância, uma população menos preconceituosa. Somente assim, será possível restringir, de fato, o preconceito de raça à música da cantora brasileira.