A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 17/03/2020
No livro “A República”, do filósofo Platão, o autor idealiza uma civilização na qual todos os indivíduos trabalham em busca da harmonia, ou seja, do bem comum. Infelizmente, o racismo no cenário brasileiro tem afastado o Brasil dessa sociedade utópica, uma vez que tal preconceito acompanha os afrodescendentes desde as colônias e ainda hoje é possível notar essa desigualdade com a qual são tratados. Diante disso, é de suma importância que se busquem caminhos para resolver tal impasse. A princípio, vale ressaltar que o preconceito racial está presente na história dos negros desde a era colonial, pois era imposto pelos portugueses e pela Igreja Católica. Tal situação pode ser observada no livro “Casa-grande e senzala”, do sociólogo Gilberto Freyre, no qual trata da formação do povo brasileiro, ressaltando seus defeitos, qualidades e peculiaridades da sua origem. Dentre os defeitos desse povo, a obra revela uma sociedade preconceituosa ao abordar, por exemplo, o incentivo da Igreja Católica para que os portugueses se casassem com indígenas (jamais com negras), já que havia poucas mulheres brancas disponíveis na Colônia. Além disso, a igreja proibia o acesso ao sacerdócio para negros e mestiços. Esse preconceito, infelizmente, ainda acontece nos tempos atuais, como em uma reportagem publicada pelo site “G1” em setembro/2017, a qual expõe que o chefe da casa noturna “Vila Mix” questionava uma funcionária, por mensagens, quem havia liberado a entrada de negros no local. Assim, atitudes devem ser tomadas para erradicar situações como essa. Ademais, as desigualdades enfrentadas pelos indivíduos negros vai além da renda, emprego e nível de escolaridade como é demonstrado em pesquisas realizadas que citam que tais diferenças também estão presentes nas condições dos domicílios em que vivem. Apesar disso, as condições melhoraram nos últimos anos, como mostrado pela Revista “Exame”: o saneamento em lares negros subiu de 44,2% para 55,3% desde 2005. Outro ponto a ser analisado é uma reportagem realizada pelo “G1” em julho/2011, a qual mostra que um estudo realizado pelo IBGE apontou que 63,7% dos brasileiros acreditam que a cor ou raça influencia na vida, tanto na área profissional quanto pessoal. O trabalho aparece em primeiro lugar na situação em que ocorria maior influência, sendo afirmado por 71% dos entrevistados. Deste modo, urge que medidas sejam tomadas com o fito de combater esse imbróglio. Portanto, para minimizar os problemas relacionados ao racismo na sociedade brasileira, a escola, que é responsável pela formação primária dos sujeitos, deve abordar tal tema a fim de conscientizar os alunos desde o ensino fundamental até o médio, por meio de rodas de conversas, quinzenais, realizadas pelos próprios professores, com a finalidade de erradicar o preconceito sofrido pelos negros. Somente assim, o país estará mais próximo da utopia platônica.