A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 01/05/2020

Na série americana “Todo Mundo Odeia o Chris”, é retratada a vida de Chris, o qual, após se mudar para o colégio Corleone, passa a ser o único garoto negro da escola, motivo pelo qual ele luta pela sobrevivência em meio às perseguições sistemáticas de Caruso. Fora da ficção, observa-se um cenário análogo, uma vez que o Brasil denota a persistência do racismo, na medida em que não só há um preconceito enraizado na sociedade, mas também uma educação que não preza pela diversidade. Convém, portanto, analisar de forma crítica essa problemática.

Em primeiro aspecto, a colonização do território brasileiro teve como mão de obra os escravos, os quais eram submissos aos brancos, em virtude de uma suposta superioridade europeia, o chamado etnocentrismo. Nesse contexto, é perceptível que o reflexo dessa exploração, na hodiernidade, configura-se como a discriminação racial, isto é, criou-se um preconceito embasado na cor de pele do indivíduo ao associar o negro a padrões ruins. Dessa forma, essa desigualdade racial impõe aos negros empecilhos no âmbito laboral, já que segundo o site “G1”, 60% dos entrevistados que possuíam pele escura alegaram ter perdido um emprego, em razão do resistente racismo no Brasil.

Paralelo a isso, embora seja dever da Constituição Cidadã de 1988 garantir um ensino de qualidade a todos perante à lei, na prática, tal isonomia não é concretizada. Sob essa ótica, nota-se que em um local onde se deveria aprimorar e respeitar a diferença, emprega-se a manutenção da intolerância, visto que nas escolas não se discutem a respeito dos aspectos culturais e religiosos africanos, o que contribui para o perduramento do racismo. Visto isso, de acordo com a perspectiva de John Locke, a teoria da “Tábua Rasa” afirma que o ser humano é como uma tela branca que é preenchida por experiências, como também influências, logo se não há uma discussão acerca das distinções raciais, forma-se cidadãos rígidos e preconceituosos.

Enfim, com o intuito de que personagens como “Chris” deixem de representar a realidade brasileira, medidas são necessárias. A priori, urge que o Ministério da Educação, em sincronia com as escolas - cuja função é atuar como base educacional - insira, na grade curricular escolar, uma disciplina que aborde a cultura africana e as origens do preconceito no Brasil, promovendo debates que quebrem esse prejulgamento cristalizado. A posteriori, isso só será possível por meio de videoaulas disponibilizadas, especialmente no Youtube, que servirão de embasamento para as aulas, a fim de que a “Tábua Rasa” de Locke seja preenchida de vivências tolerantes, além de garantir o fim da insistência do racismo.