A persistência do racismo na sociedade brasileira
Enviada em 06/05/2020
Comentários racistas. Violência por fatores raciais. Falta de oportunidades para negros. Pouca representatividade negra. Apesar da premissa que a humanidade tenha superado problemas sociais como o racismo, os acontecimentos anteriores são recorrentes da sociedade atual. Dessa forma, faz-se necessária a discussão da persistência da mentalidade de preconceito racial no contexto brasileiro, visto que esse grave problema não pode ser negligenciado.
É imprescindível destacar que as raízes do racismo têm origens profundas na história do Brasil. Durante o período colonial, os africanos foram vítimas de tráfico e escravidão, devido a crença de superioridade do homem branco. Com a chegada desse povo ao país, veio também uma grande riqueza cultural dotada de costumes e passada para todas as gerações. Entretanto, a diferença racial acabou se sobressaindo sobre as heranças, fazendo com que ainda hoje a senzala prevaleça na mente das pessoas, inferiorizando os negros. Segundo o IBGE, cerca de 53,1% das autodeclarações são de afrodescendentes, mas apenas 8,1% se consideram negros. Tal situação evidencia a resistência de aceitação da cor de pele em frente a uma sociedade que ainda manifesta racismo.
Outrossim, a resistência da mentalidade preconceituosa traz graves consequências para a sociedade. A visão racista das pessoas faz com que indivíduos negros sejam excluídos socialmente em áreas como educação e mercado de trabalho, o que interfere na integridade física e mental dos mesmos. Apesar da tentativa de implementação de políticas públicas para corrigir as injustiças do passado, no contexto atual elas se mostram ineficientes diante do aumento da violência a negros e a falta de oportunidade de estudos e trabalho. Além disso, o conceito de meritocracia apenas cria a ilusão de superação do racismo, como retratado em uma cena na série “Black Mirror”, onde a moça branca ganha todos os recursos sem se esforçar, enquanto o homem negro perde tudo e não tem nenhum apoio ou recurso para recomeçar.
Portanto, fica evidente a necessidade de combater o racismo. Para isso, cabe ao Ministério da cultura em parceria com o Ministério da Educação criar uma semana da cultura afro-brasileira , de forma que seja realizada anualmente em instituições de ensino e espaços públicos atividades que envolvam apresentações culturais, feiras gastronômicas, trabalhos acadêmicos sobre a identidade cultural negra. Dessa forma, o conhecimento da cultura levará a superação da mentalidade ultrapassada do racismo. Ademais, as políticas públicas devem ser reforçadas para garantir oportunidades sejam ofertadas e fazer construir um país em que os acontecimentos racistas se contenham apenas como parte lamentável da história.