A persistência do racismo na sociedade brasileira

Enviada em 08/05/2020

Sabe-se que, conforme articulado pelo psicanalista Augusto Cury: “O sonho da igualdade só cresce no terreno de respeito pelas diferenças.” Todavia, a sociedade brasileira contradiz de maneira irrefutável análoga citação, visto que a discriminação para com os indivíduos distintos, principalmente na cor da pele, evidencia-se cada vez mais dentro do corpo social devido ao preconceito racial estar fortemente enraizado na nação brasileira desde os primórdios.

Primordialmente, é autêntico que a inferiorização dos afrodescendentes não é uma invenção hodierna, em virtude de que, a datar da colonização do Brasil, esses seres humanos sofrem com tal hostilidade por conta de suas assíduas escravizações. Sob esse prisma, eram transportados centenas de cidadãos africanos diretamente às terras brasileiras dentro de navios negreiros em demasiada calamidade, com o intuito de os fazerem trabalhar de modo forçado, uma vez que o tráfico de escravos era algo de caráter inexoravelmente lucrativo para a coroa portuguesa e evitava fugas indesejadas, já que, diferente dos indígenas, por serem pegos de regiões divergentes da África, esporadicamente os africanos falavam a mesma língua, dificultando, portanto, a comunicação e a formação de rebeliões entre eles.

No entanto, mesmo com o fim na escravatura em 1888, consoantes afrodescendentes persistiram como uma aversão societária. Pode-se mencionar a obra literária “Minha Vida de Menina”, diário escrito por Helena Morley após a abolição da escravidão. Em vista disso, ao retratar seu cotidiano, Helena relata inúmeras vezes que sua avó não apoiava a ideia dela se conglomerar com as filhas das antigas escravas, intitulando-as como “negrinhas” e dizendo que sua neta era superior a elas apenas pela cor da pele. Diante do exposto, a contemporaneidade permanece fixa às suas raízes históricas intolerantes, posto que, em pleno século XXI, episódios de racismo ainda são frequentes na coletividade brasileira, fazendo com que os negros sejam equivocadamente relacionados à pessoas de más essências e insignificantes, os quais nunca irão exceder a soberania social dos brancos.

Em suma, é indubitável que o racismo mostra-se imensamente persistente na sociedade brasileira. Logo, para desatar semelhante impasse, é dever do Ministério da Educação, junto com o Ministério da Cidadania, extinguir o preconceito racial no Brasil, por meio de palestras ministradas por educadores e agentes sociais direcionadas para todas as instituições acadêmicas independente da faixa etária, a fim de que desde a infância os seres humanos possam obter a verídica consciência do quanto a população negra contribuiu e continua contribuindo para o país e, assim, percebam que todos os indivíduos são iguais, indiferente da cor de sua pele. Dessa forma, a nação brasileira caminhará rumo a um corpo social homogêneo.